DINHEIRO: O DUBLÊ DA VIRTUDE

A partir do desenvolvimento do regime capitalista, os produtos fabricados em escala industrial adquirem propriedades que não correspondem mais imediatamente aos seus caracteres funcionais ; tanto pior, as próprias  relações interpessoais passam a ser medidas pelas coisas, ou seja , quem tem nada nada é. decorre daí todas as distinções  da exaltação das posses materiais; logo começamos a projetar nos objetos qualidades fantasmagóricas que interferem nas relações sociais.
 O dinheiro  torna inteligente o mais inepto dos homens, o dinheiro concede até status acadêmico ao mais medíocre individuo,pois, em uma sociedade regida pelos signos das aparências medidas pelo capital toda imagem individual é moldada pelo poder financeiro. O filósofo Paul Lafargue(1842-1911) diz que o dinheiro naquele que o possui substitui a virtude . Tudo é mercadoria e tudo está a serviço da acumulação do capital ; não é de ser espantar que o sistema educacional moderno tenha subordinado aos ditames econômicos capitalistas. No sistema  comercialista de ensino, que regulamenta grande parte das instituições secundárias e universitárias de fomento privado, a maior qualidade do estudante é sua capacidade de pagar suas mensalidades; cumprindo essa meta, não há maiores empecilhos para realização do seu objetivo maior , a obtenção do diploma de conclusão do curso. Afinal, aluno reprovado é consumidor insatisfeito , e freguês sempre tem razão no sistema capitalista. Conforme destaca o educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997) no contexto dessa realidade educacional capitalista: "O dinheiro é a medida de todas as coisas" e o lucro seu objeto principal.
Jesus  disse que não pode servi a dois senhores , Deus e o dinheiro (Mt, 6,24) entretanto no desenvolvimento da sociedade capitalista  podemos pagar pela aquisição de bençãos  e pelo perdão divino por todos os nossos pecados . Conforme Paul Lafargue sentencia ironicamente o Capital é o deus que todos conhecem, veem, tocam, cheiram e provam ; existem para todos os sentidos. É o único deus que ainda não encontrou ateus; as outras religiões estão só nos lábios , mas no fundo do homem reina a fé no capital. Com efeito   na sociedade moderna , a busca pelo dinheiro adquire  curiosas conotações religiosas, convertendo-se em mecanismo redentor  que pretensamente concede  ao seu detentor a beatitude  materialista do prazer sensível . Encontramo-nos assim em uma situação difícil de ser transformada na conjuntura ideológica vigente, pois a ilusão de onipotência provocada pelo dinheiro gera um efeito soporífero sobre a capacidade cognitivas do homem moderno , deixando-o alheio ao caráter intenso da realidade e suas autenticas relações de forças.    
  (ADRIANO SOARES DE SOUSA)        

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