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O SUICÍDIO, E O TABU EM NOSSA SOCIEDADE

 Hoje o tema é delicado iremos falar de suicídio um tema que é sempre atual, e posso dizer que é uma chaga de nossa sociedade, o tema está muito em evidência depois que a Netiflix  exibiu a série 13 Reasons Why, que conta a história de uma jovem que antes de cometer o suicídio grava fitas cassete para explicar os motivos que a levaram a cometer esse ato.
 Outro fator  que virou uma febre na Europa e chegou ao Brasil, foi o jogo baleia azul.
O jogo tem como base a relação entre os desafiantes e os curadores(administradores) que propõe ao participante uma porção de desafios e por último o suicídio, o jogo tem esse nome, pois refere-se as baleias encalhadas supostamente suicidas.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) o país com maior índice de suicídio é a Índia com uma média de 258.075 por ano, o Brasil aparece nessa lista em oitavo com uma média de 11.821 suicídio  no último ano, e países mais desenvolvidos que o nosso como E.UA. , Japão e Suécia aparece na nossa frente com índices mais altos .
 Em 1897 o filósofo e sociólogo francês David Émile Durkheim (1858-1917) desenvolveu uma tese sobre o assunto que deu origem a um livro que é usado até hoje como base de pesquisa. O livro leva o nome da pesquisa "Suicídio" e Durkheim concluiu em sua tese que o suicídio é um fato social, explico:
 Para Durkheim o suicídio não é um fenômeno individual e sim social, para chegar a essa conclusão Émile teve base estatísticas,; segundo ele o suicídio decorre de uma crise moral da sociedade, e divide em três tipos de suicídio: 1) Egoísta : É o enfraquecimento dos laços entre o indivíduo e a sociedade, isso ocorre quando o indivíduo perde sua identidade social, ele não tem mais referência na sociedade, ou seja, a percepção individual acaba prevalecendo sobre o coletivo, para o indivíduo ele é mais importante do que a sociedade, logo para essa pessoa os seus problemas são maiores do que toda sociedade.
2) Altruísta: Que é o oposto do Egoísta, pois esse tipo de suicídio ele é ligado a causa social, ao coletivo. Nessa hipótese o indivíduo não tem vida própria e sim a coletividade, esses logo se matam em prol da sociedade, são aquelas situações em que o indivíduo se mata achando que está fazendo um bem para sociedade, quer um exemplo atual? Os homens bomba.
3) Anomia: Isso acontece pela fraca regulação social entre as normas da sociedade. Geralmente é ocasionado pela perda de padrão social, ocasionados por mudanças circunstanciais (ou não) por exemplo: Uma guerra, uma crise econômica, essa podemos usar de exemplo a crise 1929, com a queda da bolsa de Nova York  muitas pessoas cometeram suicídio, pois, perderam suas fortunas.
 A partir dessa divisão Dukheim  começa se aprofundar cada vez mais nessa tese sobre suicídio e ele busca outras formas, além das estatísticas como informação, ele percorre as pesquisas de obituários e chega a seguinte conclusão( essa tese é um pouco defasada): Suicídio de protestantes era maior que de católicos, devido que a rotina do culto católico e mais exigente do que a do protestante( hoje não muito). Encerrando sua tese, Durkheim vai dizer o que diferencia os suicidas são hábitos, costumes. fatores físico  e materiais. Ele diz que em condições normais as correntes suicidógenas se compensam mutualmente, e por fim concluiu que o suicídio esta em toda sociedade humana e tem uma tendência coletiva, por isso ,você não vê muita notícia de suicídio  na televisão, pois segundo a OMS pode gerar uma onda de suicídio mutuo.
Bem, essa é tese sociológica do assunto, mas, quis ir  além, conversando com meu amigo, Vladimir Oliveira que é estudante de psicologia pela PUC- MINAS unidade de Betim sobre o assunto, abriu ainda mais a ideia sobre o tema e ele teve a humildade de expor seu pensamento aqui no blog . Percebe-se que ele é um estudante diferenciado e tem um futuro prospero na profissão, leiam:
    Suicídio ainda é um tabu em nossa sociedade. Lida com a questão da morte e ninguém quer se haver com este tema. Ignoramos a morte, buscamos sempre a manutenção da vida. Quando se trata da morte voluntária, evitamos ainda mais este tema.
Vivemos em uma sociedade que enfatiza a felicidade, o gozo, realização pessoal e, como dito acima, a manutenção da vida. É imposto um ideal de vida perfeita, onde não há lugar para fracassos, perdas, tristeza e tampouco o suicídio, ato considerado como a concretização do fracasso. Soma-se a isso a ideia religiosa que coloca o suicídio como pecado mortal, partindo da premissa de que “se Deus deu a vida, somente Ele pode tirá-la”.
Diante disto surgem diversas problemáticas a respeito do autoextermínio: pouco se fala neste assunto, quem comete é visto como fracassado, burro, pecador, aquele que passa por alguma situação angustiante normalmente não pede ajuda com medo da imagem negativa que pode cair sobre ele. Ninguém quer saber, ignoramos, culpamos somente o suicida e resultado: esta prática só vem aumentando.
Não há uma resposta para a pergunta: “Por que as pessoas tiram a vida?” Cada ser humano é único e tem sua subjetividade, sua história, seus motivos. De maneira geral, podemos dizer que o suicídio trata-se tentativa fuga, procura-se escapar de uma situação de angústia, fracasso, impotência, perda. Como dito acima, vivemos em um mundo que impõe certas obrigações de sucesso, felicidade, realização.  Quando frustramos na tentativa de atender a estes anseios, pode vir angústia, perda de sentido.
 Não estou dizendo aqui que todos que passam por frustrações ou depressão são propensos a tirar a vida. Conforme mencionado anteriormente, cada ser humano é único e lida de maneira bem particular com as questões de sua vida. Mas estes fatores podem sim, aliados a outros, levar um sujeito a se matar. Em última análise, podemos dizer que na verdade, o suicida tem é uma enorme vontade de VIVER. Parece um paradoxo, mas ao tentar o autoextermínio, sujeito faz para fugir de algo que ele não dá conta de enfrentar, não quer deixar esta vida, mas encontrou na morte a única alternativa de escapar. Se ele tenta, de alguma forma, fugir de sua realidade dura e conflitante, podemos concluir que há uma vontade de viver.
O mais importante é não tratar quem já tentou ou afirma que vai se matar como um doente, um fraco. Nem tampouco convencê-lo a desistir dessa prática com frases do tipo “a vida é boa”, “pra tudo tem um jeito”. Deve-se escutá-lo, ajuda-lo, buscar compreendê-lo. Ajuda com profissional de psicologia é fundamental. Existem também serviços como o CVV (Centro de Valorização da Vida)*, onde tem pessoas dispostas a ouvir quem passa por algum momento difícil e não tem com que falar (e acredite, muitas vezes, o simples fato de se ter alguém que nos ouça sem julgamentos e preconceitos, pode salvar nossa vida).
*O CVV - Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e Skype 24 horas todos os dias.

 (ADRIANO SOARES E VLADIMIR DE OLIVEIRA)
                                           

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