O FIM JUSTIFICA OS MEIOS? ENTENDENDO "O PRÍNCIPE" DE MAQUIAVEL POR OUTRO ÂNGULO


Olá pensadores tudo bem com vocês? Espero que sim! Comigo vai tudo bem graças ao bom Deus, e já vamos dar inicio a mais texto rumo ao centésimo artigo, (quem diria !)que alegria no meu coração! Confesso que ainda estou em dúvida se eu sigo o cronograma ou faço algo diferente, mas vamos ao que importa sem mais delongas.
Você com certeza alguma vez na sua vida você já ouviu essa frase: " O fim (os fins) justifica (justificam) os meios" , provavelmente você não sabe o autor dessa frase e é sobre ele que iremos falar hoje( até aqui vamos supor que foi ele quem disse isso).
Nicolau Maquiavel nasceu em Florença no ano de 1469 numa família da pequena nobreza, ele cresceu em uma Itália dilacerada entre mais ou menos vinte principados, cujo os estatutos políticos os tornava presa fácil para nações estrangeiras. Ele assiste em Florença a derrubada dos Medici pelos franceses  e à instauração de uma constituição republicana inspirada pelo monge  Savonarola . Das sua missões diplomáticas , já que ocupava o cargo de secretário da chancelaria foi atuar junto com Cesare Borgia na qual tirará lições  que alimentarão seu pensamento político. Tornando -se em 1501 homem de confiança e braço direito  do magistrado municipal Pier Soderini , exercerá sobre a política de Florença uma influência considerável. Mas em 1512 os espanhóis derrubam a república de Medici e retomam o poder. Preso torturado e depois deportado, Maquiavel aproveita o ócio forçado para redigir sua principal obra : " O Príncipe" que dedica a Lourenço Medici . Após um breve retorno a política em 1526, é novamente afastado e morre em 1527, ano do saque em Roma.

Não há filósofo mais mal-entendido do que Maquiavel. Isso porque tenha escrito coisa difícil de compreender; mas acredito que O príncipe, é incomparavelmente mais fácil de se ler do que qualquer obra de Kant ou Hegel. Mas, se entendemos tudo o que ele diz, não é simples compreender o que ele quis dizer. Durante quatrocentos anos, os especialistas leram ao pé da letra, acreditando que Maquiavel defendia o poder a todo custo, inclusive o da supressão da moralidade ; ninguém que estudou a obra atualmente partilha essa opinião, ainda que continue dominante entre quem nunca leu Maquiavel. Mas uma coisa irei revelar : Não é dele a frase segundo a qual os fins justificam os meios.
A grande questão d'O Príncipe é : existem repúblicas e monarquias, e entre as monarquias há antigas e as novas. O livro discute somente as novas. Porque, quando o poder é antigo, ou quando foi conferido pelo povo, as pessoas não veem muito problema em obedecer.
Mas, se o poder foi conquistado há pouco, falta-lhe o que chamaríamos de legitimidade: a disposição mental dos súditos de respeitar o governante. E isso agrava quando o governo novo foi instaurado não com suas próprias armas, mas com armas alheias.
Por esse caso raro não na Itália de 1500, mas no resto do mundo sim se torna decisivo? Porque nele se capta a essência da Política sua capacidade de criar, quase do nada a legitimidade, a capacidade que tenha o governante de construir, quase do nada, a obediência. Não é pela força , porque o príncipe em questão não dispõe de armas próprias. É pelas ações , pela palavra, por persuasão escorada em alguma violência do governante, que acima de tudo precisa ser bem usada. Ao contrário do que se imagina, a mera força de nada serve . O que é necessário o que vai além da força bruta ou física e se chama poder.
Se Maquiavel começa o livro especificando seu campo de interesse o regime não republicano, mas, monárquico. que não é antigo, mas novo; que não foi obtido com armas próprias, mas alheias. Ele praticamente o conclui com uma distinção que mais ou menos se sobrepõe a esta. No penúltimo capítulo d'O Príncipe . afirma o resultado de nossas ações pode-se dizer que metade vem da fortuna ( sorte ou má sorte) a outra metade vem da virtú. Para ele , palavra não significa a virtude moral como diria Aristóteles e São Tomás de Aquino, e por isso os estudiosos preferem citá-la em italiano, afim de preservar o sabor maquiveliano. A virtú seria a excelência do príncipe, ao saber como enfeixar em suas mãos os fios descosidos do destino . Tem virtú quem, sabe, em uma situação adversa ou apenas devida à sorte, torna-se senhor.  Vejam o exemplo que dá Maquiavel :  Tempestades arrasam pontes e estradas, eis a fortuna ; mas depois, o homem refaz o que foi destruído, tornando-o mais resistente ao azar eis a virtú.
O que faz então o príncipe, não digo ameaçado pela má sorte, mas o que deve seu status apenas a boa sorte, sem mérito próprio , sem forças e sem armas que o defendam?
Ele deve ser habilíssimo. Cada gesto seu precisa está dirigido à construção de um poder que impressione.
O grande exemplo de Maquiavel está em Cesare Bórgia, quando esse príncipe novo por excelência que deve sua posição apenas a sorte de ser filho do papa(Alexandre VI) e ganha Romagna, então assolada por bandidos. Nomeia um preposto, Ramiro dell'Orco, para que acabe com eles, e Ramiro faz isso com muita energia e crueldade. A região está pacificada, mas Cesare ficou com fama ruim. Para Sanar o entrave, Cesare manda matar, de forma cruel, o próprio Ramiro. O corpo dele, ensanguentado, no centro da capital Romagna, basta para mostrar que o príncipe pode ser terrível e bom. Um gesto teatral fortalece Cesare Borgia. Antes, sortudo agora ele tem poder próprio.
O maior mal que a posteridade reservou a Maquiavel foi ter servido do seu nome para designar, com termo pejorativo maquiavélico uma pessoa que mistura cinismo e ato de imoralidade , cujo o princípio seria 'o fim justifica os meios". Ora, a política para Maquiavel , requer antes de tudo um enfoque realista, e objetivo, uma atitude, científica, consistente em identificar leis universalmente válidas baseando-se na experiência e nos exemplos tomados da história.
O problema é de ordem estritamente política e de pretensão puramente pragmática. Não se trata de propor o modelo ideal que deve ser realizado, mas de responder às perguntas:  Como fundar um Estado, isto é, tomar o poder e conservá-lo ? Quais são os meios para governar?
(SOARES DE SOUSA, ADRIANO)
Referência bibliográfica:  O Príncipe, Nicolau Maquiavel, São Paulo, Martins Fontes, 3 ed,2004. Revista de filosofia Ano VII, Ed 89 Dezembro 2013.
FOTO: Imagens da internet 
                                 

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