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SCHELLING(PARTE 2) E SUA CONCEPÇÃO DE DEUS


Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Comigo está tudo bem graças a Deus! E hoje, iremos dar continuidade no pensamento de Schelling, confesso a vocês que iria falar só sobre  a filosofia da arte, mas quando estava lendo o autor achei interessante sua concepção de Deus, não que seja a definição exata , até porque "Ninguém explica Deus", mas é no mínimo diferente e  a partir de agora compartilho com vocês.
Schelling fez parte de um período pós- Kantiano a qual dá-se o nome de idealismo, que é dividido em várias fontes. Schelling afirma sua tese no idealismo subjetivo que encerra a totalidade do eu : eu  para ele o idealismo é um esforço de suprimir o dualismo, isto é, a separação entre o em si para si, sujeito e objeto, privilegiando um dos termos. Seja, colocando o absoluto como sujeito e a atividade do eu como única substância real;seja privilegiando a natureza e constituindo a própria raiz do espírito.
Se a natureza e espírito se opõe e se condicionam mutuamente, não será possível, ir além dessa oposição para remontar ao princípio único que lhes serve de raiz comum? A verdade essencial do conflito de opostos só pode residir numa unidade que sustenta essa oposição, fundamento sem o qual nenhum dos termos teria realidade. Esse princípio Schelling chama de absoluto, não é nem subjetivo nem objetivo, nem espírito nem natureza, mas identidade do subjetivo e objetivo. O sujeito e o objeto não são fundamentalmente diferentes um do outro, portanto, o absoluto é essa indiferença mesma. Essa coincidência imediata do sujeito e do objeto é, em última instância, saber imediato de si mesmo.

Se o absoluto se revela como identidade eterna de si a si,, não é necessário então como o absoluto pode sair da sua feliz indiferença para se arriscar no mundo finito? Como, partir do conceito de identidade absoluta, reencontrar o mundo diferenciado do relativo da sua existência e da história? É  esse o problema levantado pela filosofia da identidade, mas que Schelling se recusa a colocar nesses, termos porque o absoluto, embora contenha ideal e virtualmente os opostos,  nem por isso é unidade vazia e abstrata. A indiferença absoluta, , não é, para Schelling como para Hegel, o absoluto como totalidade acabada. Ela é apenas um primeiro momento abstrato dele . O absoluto tem uma vida que consiste na exibição da multiplicidade, na separação relativa dos opostos que coincidem nele. É necessário colocar simultaneamente a tensão entre o absoluto e a realidade finita como dois polos constitutivos do ser. O absoluto contém, portanto a exigência da sua manifestação e da sua revelação.
A última filosofia de Schelling se apresenta como filosofia positiva. Logo essa se opõe a filosofia negativa, cujo o ponto de partida vêm de Descartes a Hegel, e na sua forma mais perfeita em Espinosa: "É o ser como pura essência , totalmente acabada, existindo por si e elevando-a à existência necessária". A filosofia negativa repousa assim  no argumento ontológico que deduz a existência necessária de Deus da sua essência eterna . A filosofia positiva, ao contrário, assume o como ponto de partida o que a exclui de si mesma, o que a coloca fora de si mesma, a saber a pura existência como exterioridade radical. Assim, ela parte de Deus como indivíduo absoluto cuja a existência vem antes da essência.
Por conseguinte, a filosofia positiva não tem por sujeito um universal absoluto, mas Deus, concebido como um Deus vivo e pessoal, que, junto com seu ser eterno, tem uma vida e um devir eternos. "Deus se faz de si mesmo e , tão seguramente como se faz a si mesmo, não é algo acabado e de subsistente desde o início" (Conferência de Stuttgart ). Esse processo se funda na cisão e diferenciação, que se operam quando Deus se eleva do seu ser, como vontade cega da natureza inconsciente, à consciência pela qual Ele se torna sujeito e pessoa. A criação é, assim, a atualização da potência e das virtualidades de Deus, o processo pelo qual Deus se cinde da sua essência, suspende sua existência necessária distinguindo-se dela como de um filho e realizando-se então na natureza e na história. Por essa cisão, ele sai de si mesmo numa relação extática com a existência, e a revelação é o ato pelo qual Deus se manifesta na existência humana encarnada.
É assim que encontramos o mundo diferenciado do relativo, da existência e da história, e que podemos explicar a vontade, a liberdade e o mal. No homem, há tensão entre a natureza como desejo cego e a natureza transfigurada do espírito. O homem pode tanto submeter o desejo do espírito, como renegar o espírito em benefício do desejo. O mal, que tem sua origem nessa cisão nascida da consciência e da liberdade, é pois opção da natureza cega contra o espírito, isto é, a rejeição do processo que ele a mais alta realização de si.
O pensamento de Schelling, durou por mais ou menos sessenta anos. Não pode portanto escapar, se não das transformações radicais, pelo menos de certa evolução. Expor sua filosofia é reconstituir o itinerário de um pensamento que , nem de longe uma simples etapa na história do idealismo alemão, se identifica com essa própria história.

 (Sousa, Adriano Soares de)

Referência Bibliográfica: Dicionário Universitário dos Filósofos, Noëla Baraquin e Jaqueline Laffitte. 
Foto: Imagens da internet               

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