FILOSOFANDO SOBRE O VOTO NULO


Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Comigo está tudo bem graças a Deus. Dando continuidade sobre o assunto do texto anterior, vamos voltar a falar de eleições e acredito que mais do que nunca esse país está tão envolvido, as vezes de forma equivocada, mas já é um passo.
Escutando e participando de conversas sobre o assunto, o questionamento é o mesmo: a falta de opção , tanto para eleger  no legislativo, como eleger no executivo, pois são sempre os mesmos que candidatam , só nessa eleição para o cargo de deputado federal 80 % das candidaturas são de reeleição e a pergunta que fica é: como renovar sendo que é sempre os mesmo que candidatam? Isso me faz lembrar a frase de Rui Barbosa que dizia: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem tem vergonha de ser honesto".
E pensando nisso que muitos das pessoas com quem converso cogitam e votar nulo. Mas lembro, para quem não sabe , que o voto nulo não conta. Já ouvi e já li na internet o rumor de que, se houver a maioria dos votos nulos, a eleição fica anulada. Será convocada nova eleição, mas um recado terá sido enviado para os políticos. Só que não é verdade. Os votos nulos e brancos simplesmente não entram na decisão das eleições. Mas vamos a uma discussão ética do voto nulo.

O Brasil teve, no passado, o voto nulo e o voto anulado. A contagem não os distinguia, mas eram diferentes. Havia sobre tudo sob a ditadura quem vota "nulo", isto é repudia o sistema sem liberdades em que vivíamos. Mas também havia pessoas que erravam o voto, o qual, por isso era anulado. Por exemplo, em vez de fazer cruzinhas só em um candidato a prefeito, fazia dois. O voto nulo era consciente, o anulado era possivelmente fruto de ignorância. Mas desapareceu o voto anulado. Não é possível errar assim nas urnas eletrônicas. Por sinal, elas têm a opção do voto nulo. De modo que se aceita,hoje, a opção de votar contra o sistema.
Mas o que significa o voto nulo? Ele é uma recusa não só dos nomes que se candidatam, mas do sistema do qual concorrem. É uma opção mais radical. A questão é saber se é legitima. Estão as pessoas consciente de que, ao anular o voto, repudiam o sistema eleitoral? Porque, se nenhum dos candidatos suscita minha simpatia, a opção adequada é o voto em branco. Ele é o voto da não preferência, da indiferença em face dos candidatos , enquanto o voto nulo é negação do sistema como o todo.
Acredito que quem vota nulo hoje pretende manifestar seu repúdio aos políticos, no entanto, tem o grave problema de manter o votante na passividade. É como se quem anula o voto dissesse : De todos os produtos do mercado, não quero nenhum; vou esperar que lancem algum que eu possa e queira comprar . Mas política democrática não é assim. Não é a espera passiva de um produto melhor. É o empenho em construir alternativas. Então, quem não gosta do que vê, que ajude forma coisa melhor, mas não fique parado, esperando. O voto nulo, antigamente, eram um dos poucos instrumentos de oposição à ditadura . Na democracia, ele acaba sendo uma saída pela passividade. Não é a mesma coisa.
(Sousa, Adriano Soares de)                 

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