SOBRE AS ELEIÇÕES NO BRASIL


Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Espero que sim! Hoje é uma data muito significativa para nós brasileiros, comemoramos o dia da nossa independência, e daqui a exatamente um mês estaremos elegendo nossos governantes tanto para o legislativo como para o executivo, e atualmente temos 3 tipos de eleitores: O ideológico (seja de direita ou de esquerda) que defende os pontos de vista de seus candidatos e partidos , esses por sua vez transformam política em esporte e se depender deles as eleições vira partida de futebol.  Têm os centrados (são uma minoria) que veem as coisas como elas são e analisam os fatos, mas não tomam partido( até porque isso não resolve) . Por último tem aqueles que não estão nem ai e são os desacreditados e os indiferentes, não gostam e não se envolvem e acham que tudo isso é uma grande perda de tempo.
O poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht disse: "Que o pior  analfabeto é o analfabeto político . Não lê , não ouve e nem participa dos acontecimentos políticos. Não sabe o custo de vida , o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende de decisões políticas".

O fato é que, como disse Aristóteles, "o homem é um animal político", e todos que gostam de política ou não, querendo ou não intervir na vida social, só podem fazê-lo por meio de decisões políticas ,seja afirmando a importância da participação política ou omitindo-se dela. A omissão também é um ato político.
Todos concordam que devemos formar o cidadão crítico e participativo, mas quando os estudantes começam qualquer movimento reivindicatório dentro da escola ou querem participar de alguma convocada por algum movimento estudantil, logo aparecem os pais, professores e diretores para acalmar os ânimos, vivi isso no ano de 2013 nas manifestações sobre o preço das passagens de ônibus. E se a cidadania é um valor absoluto, o mesmo não ocorre com a política, o que revela uma contradição conceitual de prática, alimentada nos últimos tempos por um discurso  pasteurizado sobre a participação política dos cidadãos. Basta ver algumas propagandas do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) que reduzem a participação a um voto consciente num determinado candidato, convidando o eleitor a votar, depois do ato cívico, voltar para casa e torcer para que seu candidato seja um bom representante. Assim para quem joga cartola escolhe um jogador e torce para ir bem para pontuar na rodada, mas escolher quem vai ocupar cargos de governança de um país é muito mais sério do que brincar no cartola. Para uma verdadeira participação só votar e torcer não basta. Pelo menos se entendermos a ação política nascida na praças pública de Atenas (Ágora) assim, como a filosofia. Mas também há muitos paradoxos e mal- entendidos.
Partindo do ponto de vista, a filosofa brasileira Marilena Chauí, diz que o significado de política  vem do grego: ta politika , vinda de pólis. Pólis é a cidade, não como conjunto de edifícios, ruas e praças e sim do espaço cívico, ou seja entendida como comunidade organizada, formada por cidadãos (politikós) isto é, pelo homem livre e iguais nascidos em seu território, portadores de dois direitos, inquestionáveis, a isonomia (igualdade perante a lei) e a isegoria ( a igualdade no direito de expor e discutir em público opiniões sobre ações que a cidade deve ou não realizar). O correspondente de pólis no latim , é civitas, que é a cidade como ente público ou entidade cívica. Civis é o correspondente de politikós, ou seja cidadão. Da mesma forma, os termos res publica corresponde a ta politika, espaço público do cidadão romano. Portanto para Chaui pólis e civitas, ta politika e res publica são termos correspondentes, que remetem, no vocabulário político moderno, aos conceitos de estado e democracia , cidadania, , o conjunto de instituições políticas e todos regidos pelo princípio universal construído modernidade: a igualdade perante a lei.
Se esta igualdade perante a lei é uma utopia na prática, o fato é que todas as constituições modernas a reconhecem como princípio fundamental a ser conquistado é garantido.
É claro que votar é um dos elementos essenciais da política, mas é apenas um momento, O pior é que por ser voto obrigatório  no Brasil, muitos eleitores acabam jogando fora essa oportunidade para mudar alguma coisa.  Votam visando um bem particular( emprego, dentadura, sacos de cimento; etc) ou vão as urnas e votam em qualquer um, votam no primeiro santinho que lhe entregam na rua ( aliás boca de urna é crime) ou votam em branco, ou nulo. Não seria melhor se esses ficassem em casa ou fossem para praia?
Por outro lado, acredito que tudo isso pode ser a soma do desconhecimento de nossa história, somando às distorções de sua compreensão, acrescido pelas versões que a grande mídia, principalmente a TV, tem dado nas últimas décadas por meios de novelas e vulgarização de preconceitos, explica grande parte dessa visão pejorativa que o brasileiro tem de política. Acrescentemos também os anos de ditaduras que tivemos no século XX , da política conservadora do café com leite, da república velha, do coronelismo ( até hoje têm)  e do voto de cabresto . Realmente com tanta desinformação e falta de educação, no exato sentido da palavra , só podemos ter um povo sem memória e vítima do "complexo de vira-latas", como disse Nelson Rodrigues. Não se surpreende também quando vemos tantos políticos vira -latas!
(Sousa, Adriano Soares de Sousa)
Referência bibliográfica: Política para não ser idiota, Mario Cortela. Convite a filosofia, Marilena Chaui.   
             
         

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