SARTRE(parte2): O EM-SI E O PARA-SI


Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Espero que sim! Comigo está tudo bem graças ao bom Deus! E já começamos com a segunda parte da filosofia existencialista de Sartre, hoje iremos falar sobre o movimento das relações segundo o autor.
Bem, segundo Sartre, quando o homem se constata como existente, ou seja quando começa a ter consciência de si para o outro, imediatamente percebe-se como existência consciente. Essa consciência ele tem de si mesmo(como intuição originária de si) existindo no mundo. A consciência designa uma subjetividade sempre aberta, que a todo instante transcende em direção ao mundo. O caráter transcendente como relação com algo que encontra fora dela é a própria consciência, é uma consciência completa e dirigida para alguma coisa que não é ela.

O homem como ser no mundo sempre está relacionando com o outro ser que lhe é distinto, um ser que não têm consciência de sua existência, o ser das coisas. A esse ser Sartre denomina EM-SI. Esse ser não admite nenhuma abertura em relação a outro ser, ele é pleno e idêntico a si mesmo. Essa plenitude existe porque o ser EM-SI não tem história, não tem devir, não tem potencialidade: Todas as coisas do mundo são "em-si". O isto é o homem, ao contrário , não tem essência determinada e por isso é pura intencionalidade, pura abertura, puro movimento em direção às coisas. O nada se faz a si mesmo e tem consciência de suas ações; o ser EM-SI, Sartre concebe a existência do ser especificamente humano, denominando-o o ser PARA-SI, o ser da consciência. O PARA-SI  traz consigo, desde sua origem, a liberdade. (assunto dos próximos capítulos). Por meio dela, o PARA-SI escapa de cristalizar-se numa condição de ser acabado e pleno, no mesmo instante em que se projeta no tempo, em direção ao futuro. Ao contrário do Em-SI, o PARA-SI não é em plenitude e anseia a todo instante completar-se. Assim, por ser inacabado é que o PARA-SI implica um comprometimento constante: Só por meio de escolhas incondicionadas é que ele vai se construindo. Manifesta-se aí o caráter de absurdez inegável em relação a liberdade que escolhe, não é possível escolher não ser livre. Com essa afirmação estamos diante da facticidade e da contingência da liberdade. Sartre denomina facticidade da liberdade"ao dado que ela tem-de-ser" iluminado pelo seu projeto. Os aspectos da condição humana que são independentes de nossas escolhas são manifestações da facticidade, tais como lugar, o corpo, o passado, a posição social e a época histórica. Já o fato de não poder existir é a contingência da liberdade. Afinal, o que representa uma escolha diante de um mundo inerte, que nenhuma resistência nos oferece? Escolher o significado de qualquer coisa no mundo de um puro EM-SI só importa porque outros também podem imprimir nos mesmo objetos diferentes significados. Escolher é praticar um ato decisório que aponta em direção a um projeto original.( continua...)
(Sousa,Adriano Soares de)
Referências bibliográficas: O SER E O NADA, Jean-Paul Sartre. HISTÓRIA DA FILOSOFIA, Eduardo Lúcio Nogueira e Nuno Valadas.       

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