SARTRE (PARTE 3): O CONCEITO DE LIBERDADE

Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Comigo está tudo bem graças ao bom Deus! Já estava com saudades, e confesso que com um pouco de preguiça de escrever, mas eis-me aqui, e aproveitando a série sobre Sartre a encerraremos e daremos sequencia a outra temática isso tudo em apenas um único texto. Explico: Hoje encerraremos Sartre falando do seu pensamento sobre liberdade e hoje também começaremos a série de texto que fala sobre liberdade, além de Sartre teremos aqui o pensamento de liberdade de Santo Agostinho e o Pensamento de Espinosa, então não vamos perder tempo , senta que lá vêm história.
Partindo das propostas existencialistas sartrianas de que o homem é construtor de si mesmo e de que a existência precede a essência, podemos afirmar que o homem é causa de si, se faz mediante suas escolhas. Essa escolha segundo Sartre , está fundamentada na liberdade , e isso leva o homem a ser fruto da liberdade.  Assim, vê-se que a liberdade não é algo que pertence à essência do ser humano, mas dá suporte à sua essência. Se afirmamos que a liberdade pertence a essência do homem, poderemos supor  também que o homem pode escolher sua existência. A liberdade,assim, teria um poder determinado, ou seja, a noção sartriana de condição humana e de situação não teriam valor. Para Sartre, a liberdade é absoluta ou não existe,ele recusa o determinismo (assunto para um próximo texto) e mesmo qualquer forma de condicionamento. Assim, dado  que o homem é causa de si, no sentindo de que é ele que constrói seu modo de ser, para Sartre, a liberdade é absoluta e incondicional, sem limitações, ou seja, a liberdade é a escolha do homem faz de seu próprio mundo. Não se podem encontrar outros limites para liberdade  além dela mesma. O homem faz-se afirmando suas escolhas livres, assim ele é produto de sua liberdade, pois é na ação livre que o homem escolhe seu ser, ou seja, que se constrói o sujeito. Deve ficar claro que o homem não escolhe a liberdade, pois ela procede do ser ; o homem é lançado nela.
Como a liberdade ela não é indeterminada e sim um fazer de um ente alguma coisa, abandona-se o quietismo, o homem se engaja , assume uma posição no mundo tomando partido e assumindo os ricos inerentes a essa atitude. O exercício da liberdade nas ações de escolher o que fazer é sempre movido por vontade consciente dos princípios  norteadores dessa escolha e dos fins e consequência dessa ação . Na ação livre o homem é consciente dos princípios de sua ação. No entanto, não existem princípios prontos  que sirvam de guia para escolha humana, não existem valores morais nos quais possam fundar a ação humana. A humanidade do sujeito existe  em circunstância e em condições sociais dadas, isso significa que toda relação humana é demarcada temporalmente, é histórica.
Para exemplificar ausência de princípios norteadores da ação, lembramos da passagem do texto O Existencialismo é um humanismo na qual um jovem pergunta a Sartre se deve ir a guerra ou cuidar de sua mãe. E a resposta de Sartre foi que não existe uma regra, um valor, um modelo, mesmo uma resposta correta ou um conselho que seja exterior a ele que sirva de parâmetro para a ação. Ou seja, é de total responsabilidade do jovem a escolha que fizer, pois ele é livre para erigir seus valores.
Nesse sentido, sendo o homem livre para agir e não existindo valores universais que sirvam de referenciais para nossa vida, cabe tão somente ao homem construir os valores norteadores de sua ação. Para Sartre, portanto, não existe valores éticos universais para vida humana, somente a construção real e individual dos valores oriundos da condição social do sujeito.
O verdadeiro conceito de liberdade para Sartre, não implica em obter o que se quer, ma em querer autonomamente, determina-se  querer por si mesmo(querer aqui, evidentemente , não só no sentido voluntário, reflexivo, mas no sentido largo que envolve a ação  humana). O problema da liberdade, segundo o filósofo, diz respeito ao querer e não ao poder(poder alcançar o que querer indica). É por isso que o sucesso não importa em rigorosamente nada para a liberdade. Não se é menos livre porque não se consegue o que quer, mas seríamos não livres (o que é possível) se nosso querer fosse condicionado. Pode-se se dizer então que a liberdade não se refere ao poder mas ao livre querer.
Assim, podemos dizer que a liberdade só é uma situação. Não é uma propriedade do homem, como a de ser bípede, não é uma entidade metafísica crava em seu espírito. Ao contrário, é o ser mesmo do homem , sempre engajado. A liberdade não é uma coisa, mas um ato, o modo da ação humana no mundo, do desvelamento, da significação da humanização do mundo. Tudo isso nos remete à ideia de que o homem não é um ser pleno, total, com uma essência definida, pois se assim fosse ele não poderia ter nem consciência nem liberdade.
Primeiro , porque a consciência é um espaço aberto a múltiplos conteúdos. Segundo, porque a liberdade representa a possibilidade de escolha, por intermédio dela o homem revela suas aspirações por algo que ele ainda não é, pois não nasceu pronto. O homem se constitui, dessa forma, em livre unificação das diversas escolhas empíricas em direção a um projeto fundamental. Por isso o homem tem por característica específica o não ser, algo indefinido e indeterminado.
Contudo, é o exercícios da liberdade, em situações concretas, que impulsiona a conduta humana, que gera a incerteza, a angústia, que leva a procura de sentidos, que produz a ultrapassagem de certos limites. Por tudo isso, afirmamos então que não há como escapar da liberdade : Como diz o autor o "homem está condenado a ser livre" . E sendo a liberdade o seu próprio limite , ele não é livre para deixar de ser livre. Assim, a realidade humana encontra-se abandonada diante da sua própria construção , necessitando fazer-se   ser em contar com nenhuma ajuda. E ser é escolher-se a cada instante. Não há como buscar ajuda fora de si ou mesmo dentro de si, apelar para Deus, para a natureza, para uma provável natureza humana ou mesmo para sociedade. Para realidade humana, ser é sinônimo de agir e deixar de agir e deixa de ser.
E por isso que Sartre afirma, que , na construção do ser, o homem encontra-se só sem desculpas.
(Sousa, Adriano Soares de)
Referências bibliográficas: Existencialismo é humanismo, Jean-Paul Sartre
Revista de filosofia, Número 75 2012                                  
           

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