O QUE SIGNIFICA SER MARXISTA NOS DIAS DE HOJE?

Olá pensadores! Tudo bem com vocês?Espero que sim! Comigo está tudo bem graças ao bom Deus. No texto da semana passada foi uma crítica ao comunismo, sendo assim, darei sequência ao assunto através do pensamento de um filósofo contemporâneo e seu pensamento deu um gás novo para o marxismo, estou falando de Louis Althusser.
Antes de falar de seu pensamento vamos a sessão TV Fama e aprofundar na vida do filósofo.
Nascido na Argélia, Althusser faz estudos brilhantes em Argel, depois em Marselha e entra para a ENS de Ulm em 1939. Prisioneiro na Alemanha de 1939 a 1945, retoma os estudos ao ser desmobilizado . Prepara seu diploma com Barchelard sobre a noção de contínuo na filosofia de Hegel. Professor concursado de filosofia em 1948, permanecerá  na ENS  como assistente até, que, em 1980, assassina a mulher em uma crise de demência maníaco-depressiva, o que leva a ser internado num hospital psiquiátrico(você lendo essa informação,acredito que só reforçou a sua tese que todo filósofo é doido). Morre em 1990, após dez anos de silêncio.
Indissociavelmente filósofo marxista e militante, Althusser ilustra com sua vida e sua obra o vínculo estreio que une, a seu ver , teoria e prática, a ideia que a filosofia tem parte ativa na luta política, de que ela própria e uma prática teórica inseparável da prática política.
Sua reflexão crítica , conduzida mediante a recusa de todo dogmatismo, efetuando em Marx, um corte epistemológico entre a pré-história ideológica(seu cortejo de pseudoconceitos, humanismo, temas...) e a produção de um discurso científico em torno de categorias fundamentais, como as forças produtivas, relação de produção luta de classes, ideologia, etc; renova completamente a leitura de Marx e dá novo impulso ao Marxismo.
A crise por que passa o marxismo nesta segunda década do século XXI, leva-nos a formular antes de mais nada a questão fundamental: O que é ser marxista? Se o próprio Marx se tornou marxista, em que  consiste o marxismo efetivo, isto é, o marxismo automaticamente científico, o que pode escapar da contingência da sua própria interpretação ideológica?
Trata-se , nada mais, nada menos, de salvar o marxismo dos sucessivos fracassos do desmoronamento final dos regimes comunistas(stalinistas no meu modo de ver). Althusser contribui para tanto individuando e definindo seu rigor e em sua cientificidade os conceitos fundamentais do materialismo histórico.
"Teoricamente falando", escreve Althusser, " o marxismo é, por um mesmo movimento e em virtude da única ruptura epistemológica que o funda, um anti-humanismo e um anti-historicismo". Ele define primeiramente como "um anti-humanismo teórico" doutrina materialista que rejeita qualquer concepção da história como teleologia do sujeito e, por isso mesmo , torna-se vã e irrisória toda e qualquer escatologia (doutrina das coisas que devem acontecer no fim do mundo) . Está última é, de fato , uma das razões do desmoronamento dos regimes comunistas que sacrificam totalmente o presente  em nome do advento utópico da "grande noite" revolucionária: o arremate da história numa sociedade sem classes. Althusser, rejeita igualmente o "historicismo" tributário da filosofia hegeliana da história  que, em seu aspecto geral, a considera como princípio de todo fenômeno humano, o que conduz a uma forma de relativismo, histórico e de aceitação não crítica do presente. Ora, para preserva o caráter científico dos grandes conceitos marxistas, Althusser integra-os numa perspectiva estruturalista  que privilegia o ponto de vista sincrônico em detrimento da explicação diacrônica. Afirmar que o marxismo é anti-historicismo é sustentar que conceitos como "luta de classes" "modos de produção ", etc;. escapam da contingência da história, mesmo que sua colaboração seja um fenômeno histórico.
Ser marxista, no sentido rigoroso do termo significa portanto:
1) Afirmar que O CAPITAL é a teoria científica, dos modos de produção. No sentido estrito, o conceito de "modos de produção" designa a infra-estrutura econômica, isto é, a maneira pela qual uma sociedade organiza as relações dos trabalhadores com os meios de produção, o que Marx define como a articulação entre forças produtivas e relações de produção. No sentido amplo, "modos de produção" significa as condições econômicas, políticas, ideológicas que comandam o conjunto dos processos de produção. Generalizando a noção de produção material das mercadorias, Althusser chama de "prática" todo processo de transformação de uma matéria-prima pelo trabalho humano num produto determinado.
A prática social, em seu conjunto, compreende assim práticas econômicas, políticas, ideológicas e teóricas.
2) Defender a teoria central, do materialismo histórico. O ser social e econômico determina a consciência, e não o inverso, e o real é irredutível em sua estrutura e em seu funcionamento às representações que os sujeitos dele fazem.
3) Enfim, afirmar que a luta de classes é motor determinante da história: "Ela não é o efeito derivado da existência das classes que existiram anteriormente(de direito de fato) à sua luta. A luta de classes é a forma histórica da contradição (interna a um modo de produção) que divide as classes em classes. Além do mais, ela não é apenas social e econômica, mas reflete no plano teórico e filosófico.
A filosofia tem, pois, uma função verdadeiramente política: lutar contra a ideologia que oculta a dimensão verdadeiramente inovadora de um pensamento. Foi isso que lhe permitiu definir o marxismo não como uma nova filosofia da praxis, mas como uma prática nova da filosofia que tomou consciência de sua própria relação com a política.
(Sousa, Adriano Soares de)
Referências bibliográficas: LER O CAPITAL, Louis Althusser, Ed. Zahar 1965. A FAVOR DE MARX,Louis Althusser, Ed. Zahar 1979 .                                    

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