UMA CRÍTICA AO COMUNISMO SEGUNDO GEORGE ORWELL E VLADIMIR SAFATLE

Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Espero que sim ! Comigo vai tudo bem graças a Deus. Bem , essa semana acredito que o tema irar ser polêmico, pelo menos para um grupo de pessoas que se sentirem ofendidas, se bem que de vez em outra alguns de direita me chamam de comunista, como agora vou fazer uma crítica para o lado da esquerda provavelmente um de esquerda irá me chamar de direita fascista, infelizmente você não pode transitar pelos dois lados e tirar os pontos e ruins e bons de cada um.
E começo pedindo calma a você simpatizante do comunismo, provavelmente você se sentiu oprimido e ofendido com a imagem acima. Não estou sendo descortês. Além de ser uma baita clickbank( acho que é assim que fala me corrigem se eu estiver errado) trata-se de apenas uma provocação, que tem que haver, acredite, com um dos pontos do nosso tema hoje. Trata-se do livro (e filme) A revolução dos bichos , de George Orwell, e um dos motivos pelos quais amargou um bom tempo com dificuldade para ser publicado. Essa associação negativa entre "porcos" e "comunistas". Pensando bem , é uma baita injustiça com os porcos. Só porque comem porcaria e são sujinhos ? E por acaso os caranguejos, aranhas e urubus, são limpos e comem melhor?
Bom, injusto ou não , foram eles escolhidos por Orwell para representar, os comunistas, pelo menos os stalinistas, em sua maravilhosa fábula reveladora das vísceras da natureza porco-humana. Lembro-me de ter contato com esse livro no auge dos meus 13 anos e naquela época não dei muita bola para ele, tempos mais tarde assisti o filme na faculdade e já comecei  a me interessar pelo assunto, recentemente voltei a ter contato com o livro, e li com mais senso crítico do que anos atrás  e ao decorrer da leitura me fez rever alguns pontos para discutirmos a qui no blog. O que pode ser bom e ruim ao mesmo tempo. Explico-me. Se é positivo que o leitor da revolução dos bichos não precise ser alimentado do contexto histórico (o que fizemos,mas posteriori) e, negativo  que sobre seja apenas a ideologia. Em outras  palavras, sai o socialismo stalinista, entra somente o socialismo, Mensagem: todo socialismo está fadado ao fracasso, porque somos, no fundo, porcos(no mau sentido).
O que pode até ser verdade, mas também pode não ser. Sempre é possível dar-se o benefício da dúvida. Quem aborda essa questão de maneira pertinente é o filósofo chileno-brasileiro Vladimir Safatle( só de escrever o nome dele me veio um monte de trocadilho e piada com o nome dele, mas foco no texto) que pergunta: quantas vezes uma ideia precisa fracassar para poder se realizar? Faz todo o sentido. Abundam exemplos históricos de ideias  que precisam de tempo para irem se amadurecendo e materializando. Safatle cita o republicanismo, mas há outros, mesmo fora da política o próprio cristianismo é um exemplo, e no futuro não muito distante os muçulmanos iram dominar . Quase todos os movimentos foram incompreendidos ou rechaçados em seu início. 
Do fato das tentativas socialistas do século passado terem sido fracassadas, e, até resultado em tiranias sanguinárias, não depreende que o socialismo está fadado ao fracasso. Até porque os erros cometidos de dentro para fora , e não ao contrário. Os "a favor" atrapalham mais do que os "contra".
Por outro lado, sempre há a possibilidade de que tais movimentos esbarrem na natureza humana, essencialmente egoísta, egocêntrica, vaidosa, invejosa, nepotista, violenta , ignorante e outros adjetivos a mais. Como nos mostrou Orwell  e sua fazenda de bichos socialistas. Por sinal, a intenção do autor , revelada por ele mesmo, não era atacar a ideia socialista, , mas , sim, o stalinismo. O problema é que, passado o século XX , não só o stalinismo se mostrou tirano na pior acepção da palavra, mas também as outras experiências socialistas todas, sem exceção (as sociais-democracias nórdicas não valem).
O filme A revolução dos bichos abre, como o livro o Sr. Jones, o dono da fazenda( Um porco capitalista?), bêbado, seguido do relato do sonho do porção premiado, Major, que, antes revela-lhes a verdade a respeito da "ordem natural das coisas"(...) Não está, pois, claro, como água, camaradas, que todos os males de nossa existência tem origem na tirania dos humanos? Basta que nos livremos do homem para que o fruto de nosso trabalho seja só nosso.(...) Quer fazer então ? Trabalhar dia e noite, de corpo e alma, para derrubada do gênero humano. Esta é a mensagem que eu vos trago, camaradas: Rebelião! (Qualquer semelhança com uma campanha de um partido cujo o número é 16 e mera coincidência. Será?) E a rebelião foi feita, pouco tempo depois da morte do Major, cujo sonho tinha direito  a uma "Internacional Socialista" os "Bichos da Inglaterra". E também não demorou muito para que os porcos que tomaram o poder revelassem sua verdadeira cara, guiados pelo porco Napoleão( Stalin?) . Sim, todos os bichos eram iguais , mas alguns eram mais iguais do que outros.
Eis, a grande questão, o equilíbrio difícil entre igualdade e liberdade. Para a direita, liberdade é um valor que pesa mais que igualdade. Para esquerda, o contrário. O que não seria um pecado propriamente, se não fossem experiências práticas de comunismo reveladoras do que acaba de acontecer na prática: trocam-se privilegiados, que deixam de ser chamados de "burgueses" e passam a ser chamados como "do partido". Ou, valendo-nos de Orwell, os mais "iguais" que os outros. Nessa hora, então, a liberdade faz uma falta danada, pois fica-se entalado com aquele partido único e governante eterno por décadas, sem nada pode fazer( e ai de quem tentar).
Orwell também lidou com a perda da liberdade.
Sim, eu sei, é difícil acreditar na possibilidade de uma natureza essencialmente boa, sem qualquer experiência de igualitarismo real e honesto estará fadada ao fracasso. Todos os dados empíricos nos são desfavoráveis ( os que não são, são exceções que confirmam a regra).
Mas ainda eu fico com Saflate. Talvez precisemos de várias gerações para "imprintar" em nosso genes um desprendimento que ainda não temos. Até lá, seguimos tentando.
(Sousa, Adriano Soares de)
Referências Bibliográficas: A REVOLUÇÃO DOS BICHOS, George Orwell, Cia das letras.                                  

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