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DITADURA: A HERANÇA MALDITA

Olá pensadores !Tudo bem com vocês? Espero que sim! Comigo vai tudo muito bem graças ao Bom Deus! Como já disse algumas vezes aqui no blog eu sigo um cronograma, mas devido aos acontecimentos recentes em nosso país, fiz uma mudança, e o texto que seria hoje ficará para semana que vêm.
O texto de hoje, será um texto baseado na história de nosso país, e que fique bem claro que a história ela pode ter vários pontos de vista, pois depende de quem conta. Dando um exemplo, a guerra do Vietnã, se escutamos o lado dos E.U.A  eles venceram a guerra, mas se olharmos o lado do Vietnã eles irão dizer que quem ganhou a guerra foram eles, e quem está certo? Cabe quem está do lado de fora fazer uma avaliação dos fatos e fazer uma síntese justa.
Nos últimos dias está tendo a discussão sobre a comemoração ou não dos 55 anos do regime militar no Brasil  e se foi uma ditadura ou não.
Têm muita gente que pensa que para ter uma ditadura tem que haver um ditador e não necessariamente, ela pode ser uma ditadura partidária por exemplo ou grupo darei exemplo dos Talibãs governaram por muito tempo o Afeganistão(1994 a 2001), no caso do Brasil foi os militares.
Onde surgiu a ditadura? Os primeiros indícios de ditadura foi no Império romano no qual era chamado no senado romano alguém para tirar o império da crise e esse ficaria no poder por seis meses ou até a situação se normalizasse, fato é que Julio César não foi imperador e sim como ele mesmo se intitulou um ditador vitalício, o mesmo quis concentrar todo poder para si ao ponto de querer mudar a máquina administrativa romana.
Mas o que é ditadura? Ditadura é um regime de governo aonde o poder se concentra só em uma pessoa ou grupo ou partido(como já foi dito) sem a participação de escolha dos envolvidos, o mesmo não aceita a oposição e é antidemocrático e geralmente ganham o poder em um golpe de estado.
No Brasil a ditadura durou de 1964 a 1985 e nas próximas linhas irei trazer para vocês a questão econômica e as consequências do regime nos dias de hoje.
Provavelmente você já recebeu vídeo no Whats'App ou um post no facebook dizendo que a ditadura foi boa para nosso país, será?
Fora toda repressão, fechamento do congresso, a falta das eleições diretas e mais de 2.100 mortos ( a agência de segurança nacional reconhece 467 mortos os demais são desaparecidos), entre outras exceções próprias de um regime autoritário o que a ditadura fez para os brasileiros? Para ter um retrato mais fiel possível, fui atrás dos indicadores sócio- econômicos destes 21 anos que o Brasil passou sobre o comando dos militares. Vamos olhar primeiro para o PIB( Produto Interno Bruto) e podemos ver que o Brasil cresceu  muito como jamais tinha se visto. No inicio do regime, foi baixo por conta das medidas tomadas para conter a inflação, que chegava a quase 100% . Mas, a partir de 1968 o Brasil deslanchou, e esse período ficou conhecido como O MILAGRE ECONÔMICO,  quando crescemos a taxas elevadas e sem precedentes. Em 1973 , no auge do milagre, o PIB do nosso país foi elevado a 14% , nunca antes ou depois o nosso PIB  cresceu tanto. Como está sendo a China nos últimos anos. Meu pai mesmo fala que nessa época a oferta de emprego era boa.  Bem, e depois o que aconteceu? Primeiro irei falar de como o Brasil deu esse "bum" na sua economia. Isso se deu pela combinação de fatores: Os militares incentivaram a entrada de muito capital estrangeiro, por investimento direto, mas também por empréstimo. Estimularam exportações foram feitas as reformas fiscais, tributárias e financeiras. Foi criado por exemplo, o Banco Central, que administra a nossa política monetária até hoje, mas grande parte desse milagre só foi possível graças ao dinheiro internacional. Era uma época de crédito fácil no exterior . Era dinheiro que desaguava no Brasil tanto pelas chamadas multinacionais, que encontraram o nosso país um ambiente mais favorável (mão de obra mais barata), quanto por empréstimos tomados de instituições internacionais. E o Brasil se endividou muito durante esse período. E quem iria pagar essa conta? Imagino que você já tenha a resposta, mas guarda ela para usarmos umas linhas a diante. Voltando ao assunto com o dinheiro dos empréstimos o governo apostou em grandes obras: Ponte Rio-Niterói, Usina de Itaipu, as usinas nucleares de Angra, polos petroquímicos e a famosa rodovia transamazônica, ops! não, pera... essa até na hora da publicação desse texto no blog não foi concluída.
Os militares também investiram no programa de desenvolvimento do parque industrial brasileiro. Você já ouviu falar na Zona Franca de Manaus? Ela foi formada nessa época com isenção de impostos às empresas que por la se estabeleciam. E si você é aquele que defende a economia com forte controle do estatal, e na ditadura que você vai encontrar vários exemplos disso: Nuclebrás, Telebrás, Infraero, Embrapa e mais de 274 estatais criadas durante o governo militar. Era claramente o que hoje chamaríamos de política desenvolvimentista. De incentivos do governo para aumentar a produção interna. Tem quem diga que isso funciona, tem quem diga que isso foi feito de maneira errada pelos militares. E o debate fica interminável.
A conta do milagre, não ficou barata: No inicio da ditadura a inflação foi controlada, mas a custa das classes mais baixas: os trabalhadores! Os salários foram achatados, já que foi mudada a fórmula que reajustava os salários pela inflação. O salário  mínimo caiu 50% em valores reais, ou seja, já ajustado pela inflação. Foram necessários 30 anos para recuperar o poder salarial perdido na ditadura. Esse arrocho salarial só foi possível , claro por intervenção dos militares sobre os sindicatos, que diminuía o poder dos movimentos e a negociação dos operários. Muitos sindicatos foram desmantelados, vários dirigentes presos e substituídos por simpatizantes do regime. O arrocho nos salários reduziu o custo de mão de obra.
Além disso, foi reduzida alíquota máxima do imposto de renda, portanto, beneficiando quem ganhava mais , e consentidas várias isenções fiscais para os mais ricos. A visão dos militares era primeiro vamos fazer o bolo crescer , depois iremos dividi-lo. É aquela ideia célebre do economista Delfim Netto, que foi ministro da fazenda durante a ditadura militar e que foi considerado pai do milagre econômico. Mas, na verdade, as medidas implementadas acabaram acentuando a desigualdade social no Brasil de uma forma nunca antes vista, aumentando consideravelmente a concentração de riqueza.
Para se ter uma ideia em 1964, 1% mais rico da população detinha 17% de toda renda do país, já no fim da ditadura esses mesmo 1%  passou a controlar 30%, acho que teve gente que comeu pedaço a mais desse bolo do que outros.
Mas com esse PIB maravilhoso que o nosso país exibia, essas coisas ficavam em segundo plano até que em 1973 , o Brasil e o mundo se surpreenderam com o primeiro choque do petróleo: Os países árabes exportadores de petróleo proclamaram embargo direcionado ás nações que eram vistas como apoiadoras de Israel. Com menos petróleo no mercado o preço disparou. O preço do barril óleo quadruplicou, afetando países importadores, como o Brasil. O crédito nacional, que antes era farto de uma hora para outra ficou escasso. Os juros cobrados sobre esses financiamentos dispararam. A economia brasileira tão dependente  de empréstimos estrangeiros, começou a enfrentar dificuldades. Lembra do crescimento de 14% de 1973 ele caiu 9% em 1974 e 5,2% em 1975. Ainda, muito bom, mas claramente uma mudança de trajetória. Mas os militares decidiram não abrir mão do modelo econômico. Autocrítica e mudança de rumos são sempre complicados. Eles defendiam que o país deveria continuar crescendo a qualquer custo, e isso teve como resultado mais dividas e taxa de juros ainda maiores. E o quadro externo voltou a piorar: Em 1979, houve uma segunda crise do petróleo. O Irã, então o segundo maior produtor de petróleo do mundo, cortou a venda e a distribuição de matéria prima. Isso por conta da revolução islâmica liderada por Aiatolá Khomeini.  Esse foi mais um golpe para a economia brasileira. Mas se tem alguma coisa que nosso país se especializou nesse período foi em contrair dívidas.
Vou falar agora de outros indicadores sociais.  Acredito que você saiba ou já ouviu falar que a escola pública era de boa qualidade, então o que aconteceu com ela? Os militares reduziu o analfabetismo e estenderam a obrigatoriedade do ensino de 4 para 8 anos. Mas os investimentos em educação caíram. Por causa dessa obrigatoriedade do ensino, houve um aumento repentino no número de matrículas escolares, mas, como as verbas não cresceram em proporção igual, a formação dos novos professores ficou prejudicada. Não havia professor para todos. Os salários e as condições de trabalho se deterioram, nesse período foi o início do sucateamento das escolas públicas. Foi também nesse período que setor do ensino foi, na prática desestatizado. Com incentivo à entrada da iniciativa privada, com isso a classe média que antes estudavam em colégios públicos começaram a frequentar os colégios particulares. As escolas públicas ficaram então centralizadas para os mais pobres , sem a pressão fundamental da classe média por melhorias no setor e esquecidas pelo governo. Não posso esquecer de citar que na constituição de 1967 os militares acabaram com uma norma do governo anterior de João Goulart que estabelecia um mínimo de 12% de investimento na educação.
No setor da saúde, apesar dos avanços , especialistas apontam, que o regime militar privatizou a saúde. O estado passou a diminuir sua participação no atendimento a população e foi substituído pela a iniciativa privada. O crescimento durante a primeira metade do regime militar aumentou  a oferta de emprego, o que por sua vez ajudou a expandir o consumo interno. A fartura de emprego atraiu muita gente das zonas rurais. Em 1960, mais da metade da população vivia no campo. No fim da ditadura 7 de cada 10 brasileiros moram na área urbana(meus pais são exemplos disso). Os grandes centros não estavam preparados para receber esse contingente de pessoas e ficaram inchadas. Sem uma política habitacional efetiva, comunidades pobres como favelas, se ampliaram, sem acesso à infraestrutura e saneamento básico(minha mãe por exemplo veio morar em uma favela que se chama barragem Santa Lucia).
Voltando a falar da economia: A inflação, que foi controlada de fato no início, explodiu na segunda metade do regime militar. Em 1985, já batia 223% ,; era mais do que o dobro de quando os militares tomaram o poder. Já o endividamento disparou 54% do PIB quando os militares deixaram o poder, em 1985. E a dívida externa cresceu 30 vezes mais: Passou de 3,4 bilhões de dólares a mais de 100 bilhões!!!! Fato é que em 1982 o país quebrou. Começou ali a longa e terrível crise da dívida, que os historiadores e sociólogos chamas de década perdida, o fim do modelo vigoroso do país, sustentado no endividamento externo. Ou seja, os militares entregaram à democracia um país financeiramente em maus lençóis. Fato que 5 anos depois o presidente José Sarney, já na democracia decreta a moratória, que a grosso modo funciona assim: "Devo, não nego. Pago quando puder". Os estudioso chamam isso de herança maldita da ditadura. Enfim, com certeza alguém lendo esse texto vai falar a seguinte besteira:" A pelo menos não teve corrupção" com a censura ao meios de comunicações ficava mais fácil, pois o que chamamos de quarto poder não tinha acesso as informações, mas tem dois casos notórios.
Lembrando, que os militares tomaram o poder com o pretexto de livrar o país da corrupção.
O primeiro caso foi da operação CAPEMI( Caixa Pecúlio dos Militares) a empresa, dirigida por militares foi beneficiada para explora madeira no Pará, ouve indícios que foram desviado 10 milhões de dólares para SNI( Serviço Nacional de Informações) órgão responsável pela inteligência do regime.
Outro caso foi o da Coroa Brastel, que em crise em seus investimentos solicitou empréstimo a Caixa Econômica Federal , em uma operação que integrantes do serviço militar foram acusados de desviar recursos do banco.
Bem, depois que falei tudo isso para você e você ainda dizer que não teve ditadura e se teve  mesmo assim ela foi boa, cara você é muito alienado ou você é muito torcedor, e nosso país não precisa de torcedores precisa de cidadãos. O brasileiro tem uma dificuldade enorme de lidar com sua história, Na Alemanha os campos de concentração viraram museus para que não o ato não se repita. No Chile o Estádio Nacional de Santiago tem um memorial para que seu povo faça memória. Aqui no Brasil ainda estamos discutindo se houve ditadura ou não, para ver como estamos atrasados! E como diz o ditado clichê: O povo que não conhece sua história está fadada a repeti-lá. 
(Sousa, Adriano Soares de)
Referências Bibliográficas:  OS MILITARES E A REPÚBLICA, Celso Castro, Editora Zahar, SOLDADOS DA PÁTRIA -HISTÓRIA DO EXÉRCITO BRASILEIRO, Frank Mccan, Editora Cia das Letras.
OS MILITARES NO PODER, Carlos Castelo Branco,Editora Nova Fronteira.
HISTÓRIA DO EXÉRCITO BRASILEIRO, Estado maior do Exército, Editora IBGE.
BRASIL: UMA HISTÓRIA, Eduardo Bueno, Editora Leya .
Imagens: Tiradas da internet 
                 
                                                             

                

Comentários

  1. Achei o post interessante, mas demasiado longo.
    Muita informação imprecisa, no meu ponto de vista.

    Apenas uma crítica construtiva, para futuros textos.

    Desejamos uma boa continuação.
    Os Piruças

    ResponderExcluir
  2. Piruças, muito obrigado pela crítica construtiva! O texto realmente ficou longo pois a ideia e enriquece-lo com informações que comprovem que aqui no Brasil houve sim uma ditadura e que ela trouxe muitos malefícios para o nosso país, portanto as muitas informações foram citadas baseadas na pesquisa feita em livros. E seja bem vindo sem que quiser!

    ResponderExcluir
  3. Texto longo mas bem informativo .

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