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DEUS MORREU?

Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Comigo vai tudo bem graças ao bom Deus. E por fala em Deus hoje se faz memória da Sexta-feira da Paixão de Cristo para os cristãos, aonde o filho de Deus Jesus é crucificado para redimir os homens de seus pecados, logo, para você que é cristão é dia de meditar e fazer jejum e penitência se preparando para páscoa, exceto se você for evangélico da igreja Quadrangular, ou da igreja Igreja Mundial, para vocês é dia de festa e de ver ir no Sermão da Montanha ou ir na Gameleira ver um show pirotécnico, de milagres, curas e sinais...É... acredito que ser cristão não é só isso,mas enquanto houver um país de diferença social tão grande, sempre haverá um povo esperando por milagres,e só isso.
Mas, o que quero citar aqui é um pensamento que predomina na Europa e chegou na última década em outros continentes, é a ideia da morte de Deus.
Assim como citei aqui textos atrás sobre a má interpretação da filosofia de Maquiável quando ele diz que os fins justifica os meios , hoje irei fala da má interpretação sobre a má interpretação que fazemos de Nietzsche quando ele diz que Deus morreu.
Para contextualizar vou deixar aqui o trecho do livro Gaia , aforismo 125:
 "Deus está morto! Deus permanece morto! E quem matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar , nos somos algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora , de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes de nossas lâminas. Quem nos limpara desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desgravo , que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade desse ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos torna nós próprios deuses, para parecermos dignos dele? Nunca existiu, e, quem quer que nasça depois de nós , passará a fazer parte , mercê deste ato, de uma história superior a toda história até hoje".
Acredito que você cristão leu o título desse texto e cheio de preconceito veio lê-lo e confirmar que eu estou virando ateu. Ou talvez você tenha vindo com a ideia de um filme lançado a tempos atrás com o título "Deus não morreu" que desconstrói tudo aquilo que Nietzsche propôs a pensar.  
Para começo de conversa para muitos Nietzsche era ateu, mas por dedução acredito que ele não era, pois fica claro que quando ele diz que Deus está morto, não se pode matar aquilo que não existe portanto o Filósofo acreditava em Deus. A morte de Deus portanto é uma metáfora, pois se Deus existe por princípio Ele é eterno e por isso não nasceu nem morrerá. ( Já citei isso aqui no texto Deus não existe, acabando de lê esse daqui vai lá e procura, você vai gostar)   
Quando Nietzsche escreveu "Deus está morto" não queria dizer que a entidade divina tinha deixado de existir e sim questionar se ainda é razoável ter fé em Deus e basear nossas atitudes nisso. Nietzsche propunha que, recusando Deus, podemos nos livrar de valores que nos são impostos. A maneira de fazermos isso seria questionando a origem dessas ideias. Sendo assim o filósofo se auto denominava "imoralista" não porque pregava o mal, mas por conta de querer superar a moral nascida da religião. Exemplo: No conceito cristãos roubar é pecado, Nietzsche vai dizer que você não deve roubar por conta de ter medo de ir para o inverno, mas sim porque independente de religião você é uma pessoa justa.
Essa forma de pensar influenciou o que chamamos hoje de Niilismo.

O QUE É NIILISMO?

A palavra niilismo vem do latim "nihil" que significa nada dai surgiu o termo como um conceito filosófico que tenta nos trazer uma ideia de que não existem fundamentos reais para nossa existência , que toda crença, toda ciência ou qualquer tentativa de explicar a origem da vida ou do mundo são em vão.
Principalmente quando tentam totalizar o conhecimento das coisas em palavras mais simples, é como se disséssemos que nada é verdade.
Culturalmente falando nós matamos Deus porque hoje, Ele é simplesmente objeto de estudo e conhecimento da fé e não mais de qualquer ciência. Logo, se não temos mais como fundamentar ou disputar essas sobre a ideia de Deus, caímos automaticamente no nada. Então, se Deus está morto tudo é permitido? Essa pergunta quem fez foi Dostoiévski em irmãos Karámazov. Não é bem assim, para não cairmos em total pessimismo é interessante entender alguns tipos de niilismo.

1)NIILISMO NEGATIVO

É uma herança do filósofo Platão e do cristianismo, que funciona do seguinte modo: Negamos essa vida em nome de outra vida que está além de nós. Passamos a vida achando que haverá outra muito melhor que essa.

2)NIILISMO REATIVO MODERNO

Nesse a uma reação a essa ideia Deus ou da morte de Deus na cultura, gerando em nós uma necessidade de crença na ciência ou na tecnologia, fazendo com achemos que no futuro teremos uma recompensa do que fazemos hoje, ou seja, eu passo a crer que a ciência vai descobrir todas as coisas eu passo a crer que a tecnologia médica, vai curar todas as doenças. O problema disso é que isso nos tira desse fluir que é o presente que é o agora, isso tira a nossa força depositando-a sempre no futuro ou fora de nós.

3)NIILISMO PASSIVO

Esse faz a seguinte pergunta? O mundo está passando, não temos mais perspectivas, nem a religião, nem a ciência nem a tecnologia dão conta das nossas angústias, então para que buscar alguns bens? Assim nós afundamos nos vícios por exemplo: sexo, álcool ou em redes sociais com a ilusão de mostra uma vida que nós no mundo real não vivemos. E por que isso acontece? "Talvez porque por um nível insuportável de individualidade" como disse a filosofa Susan Sontag.

4)NIILISMO ATIVO

Essa é uma possível proposta de Nietzsche, é como se ele nos perguntasse: Que tal viver a vida intensamente, ainda que não exista um sentido absoluto para vive-la? Com uma sensação de liberdade, quando aceitamos as nossas condições e os nossos limites, talvez assim nós concebamos a nossa força pessoal.
Bem, ficou claro? Teve alguma dúvida? Se identificou com algum dos tipos de niilismo? A leitura de Nietzsche é sempre muito boa de fazer e recomendo, para aqueles que gostam da filosofia te aguardo no próximo texto, até lá.
(Sousa, Adriano Soares de)
Referência bibliográfica:  A GAIA DA CIÊNCIA, Nietzsche , Editora Companhia das letras,2001.NIETZSCHE HOJE, Viviane Mosé, Editora vozes.
Imagens: Tiradas da internet (Um sábado qualquer)                       

         

              

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