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HOJE EU ACORDEI MUITO SCHOPENHAUER DA VIDA

Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Comigo está tudo bem graças ao bom Deus! E mais uma vez quero agradecer pela repercussão do último texto, são vocês que movem o blog, pois, esse é o propósito do mesmo, levar as pessoas a refletirem com um maior senso crítico coisas do dia a dia através da filosofia.
Quero começar esse texto brincando de adivinho e vamos ver se sou bom nisso:  Você nesse exato momento está passando por um sofrimento grande porque você está correndo atrás daquilo que você não têm, e outras coisas que você demorou muito para conseguir, mas agora que têm, você ficou meio entediado de tê-las, e sugiro algo mais, aquilo que você conquistou e não estava dando muito valor, você está passando a dar porque perdeu.
Esse é um ciclo vicioso da vida e para ajudar a explanar o tema, chamo para conversa um filósofo que tem nome de cerveja: Schopenhauer .
Artur Schopenhauer nasceu no ano de 1788 em Dantizig, Alemanha. Em 1809, quando recebe sua parte da herança paterna, inicia em Göttingen estudos de medicina, que abandona rapidamente para se dedicar a filosofia. Leciona por seis meses em Berlim , mas sua carreira universitária foi de curta duração, porque seus alunos abandonavam suas aulas pelas as de Hegel.
Magoado com esse fracasso, e com silêncio persistente que acolhe sua obra, Schopenhauer se imagina vítima de um complô dos filósofos universitários, que atacará com críticas virulentas. Retira-se para Frankfurt, onde leva uma vida cada vez mais solitária, compensando seu temperamento ansioso com um rígido ritual cotidiano. Morre em 1860.
Sua filosofia vem em consequência a filosofia de Immanuel Kant que veremos em breve. 
Schopenhauer diz que é possível sim pensar o em-si das coisas  e ele apresenta o em-si das coisas como vontade. Mas, o que significa isso? Significa que para além daquilo que podemos pensar efetivamente existe um significado muito mais profundo para o próprio mundo, e ele se revelaria a nós a partir daquilo que nós conseguimos representar , mas por um tipo de experiência que acontece a nós internamente por meio do corpo . O corpo seria então um tipo de chave de leitura a partir do que, todo mundo começaria a ser decifrado o que Schopenhauer chamaria de decifração do enigma do mundo; cada fenômeno, cada manifestação seja ela no reino material, vegetal, animal e humano, são compreendido como uma forma de objetivação da vontade, ou seja, uma forma de fenomenalização de aparecimento dessa essência do mundo que é uma força cega e irracional: a vontade de viver , ora isso traz um tipo de interpretação bastante diferente sobre a própria condição humana porque se nós somos fundamentalmente vontade, se essa e realmente é a nossa essência, se é isso que nos move , então o paradigma moderno clássico começa a ser desconstruído , portanto, o ser humano não é um animal racional autônomo, livre, capaz de decisões e arbitrário a sua racionalidade. 
Na verdade o que move o homem é a vontade! Somos, e cada vez mais  e sempre continuamente atravessados pelo fluxo de desejos paixões, afetos e sonhos.
Porque se fundamentalmente somos vontade, se a vida é marcada pela dinâmica dos desejos então continuamente estamos a buscar aquilo que não temos ou estamos tentando a manter aquilo que temos, ou estamos lamentando aquilo que perdemos de modo que a vida é marcada pelo sofrimento.
Mas, a decifração do enigma do mundo nos levaria a compreender que sendo todos nós fundamentalmente vontade poderemos começar a perceber a dor do outro como se fosse cada vez mais próximas das nossas. Nesse sentido a transposição do princípio de individualização me faria progressivamente a experiência da justiça espontânea até o momento bondade e por fim a própria experiência da compaixão, aliás a compaixão seria para Schopenhauer fundamento de toda moralidade.
Não se trata portanto, de pensar uma moral baseada na racionalidade no dever como Kant gostaria, mas, trata-se de perceber que uma melhor compreensão da própria ciência no mundo, nos levaria a uma experiência de sentir junto de um compacto de alguma coisa que talvez hoje nós chamamos de solidariedade, enfim, Schopenhauer nos destaca a importância desse sentimento como sendo originalmente aquilo que constitui o fundamento de toda moralidade de todo significado para o mundo.
Para ajudar o entendimento, vou relatar porque desse tema. 
Hoje quando acordei, me vi cheio de planos para o dia: Ir para o trabalho, demostrar minhas propostas, voltar , almoçar com meu irmão afinal, hoje é o aniversário dele,  mais tarde ir para o apartamento e ver minha namorada. 
Quando me dei conta, vi que isso são só vontades minhas, e me fiz a seguinte pergunta: Será que ao final do dia me sentirei realizado? Imediatamente me veio um pensamento nostálgico, minha memória me levou para 1991, quando meu pai comprou o nosso primeiro aparelho de som( usado) e eu amava aquele aparelho. Dias depois t meu primo nos emprestou um disco de vinil do Raul Seixas, lembro-me como se fosse ontem, a capa do vinil era amarela com o nome do prólogo do disco que era: "Uah-Bap-lu- bap - lah- béin- bum!"  
Eu gostava muito da música do Cowboy fora lei, mas hoje, me veio uma música que ficava no lado b do disco, a música se chama Gente e é de composição do próprio Raul Seixas junto Claudio Roberto   a letra é mais ou menos assim:
"Gente é tão louca
E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão
E o problema é tão fácil de perceber
É que gente
Gente nasceu pra querer
Gente tá sempre querendo
Chegar lá no alto
Pra no fim descobrir
Já cansado que tudo é tão chato
Mas o engano é bem fácil de se entender
É que gente
Gente nasceu pra querer
Em casa, na rua, na praia, na escola ou no bar... ah!
Gente fingindo, escondendo seu medo de amar...
uou uou uou uou!
Gente é tão louca
E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão
E o problema é tão fácil de perceber
É que gente
Gente nasceu pra querer."..
Podemos perceber que Raul era Schopenhaureano , pois conseguiu resumir o pensamento do filósofo em uma canção. Pois bem, assim como vimos hoje eu acordei cheio de vontades, e certamente quando almejar algumas dessas vontades talvez eu possa fica entediado, mas o importante é sempre de ter vontades. Lembrando que Schopenhauer influenciou Freud e também Nietzsche . E você? ficou influenciado por Schopenhauer? Quais são as suas vontades? O que está te entediando? Compartilha aqui nos comentários! E até semana que vem!

(Sousa, Adriano Soares de)

Referência Bibliográfica: O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÃO,Schopenhauer, Editora Unesp, 2005. AFORISMOS PARA A SABEDORIA DA VIDA, Schopenhauer, Editora Martins fontes,2002.
Imagens: Retirada da internet, Arquivo pessoal
Música citada: GENTE, Raul Seixas e Claudio Roberto, Gravadora Copacabana, 1987.


                                       

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