FILOSOFANDO A UBERIZAÇÃO DO TRABALHO

Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Comigo está tudo bem graças a Deus! Fiquei um tempo fora do blog,pois estava apertado com trabalhos da faculdade(inventei de fazer mestrado) mas, hoje um pouco mais tranquilo daremos sequência nos textos.
Como você viu no título falaremos de um fenômeno que está acontecendo nos últimos tempos que a uberização, mas o que isto?
Com certeza vocês já ouviram falar do famoso aplicativo de transporte chamado Uber , seja por ter utilizado o serviço ,pelas rivalidade que criaram com os taxistas ou por conhecer um amigo ou parente que trabalha ou já utilizou o serviço. Por conta disso o Uber se tornou parte do imaginário coletivo desde de seu lançamento em 2010 nos E.U.A e em 2014 no Brasil particularmente no Estado do Rio de Janeiro, mas o que será que esse aplicativo significa para as futuras relações de trabalho no mundo? É isso que iremos investigar a partir de agora. Com o avanço da quarta revolução industrial ,também chamada de revolução tecnológica, todos passamos a observar o crescimento de um novo tipo de condição de trabalho: aquela não há vínculo empregatício entre empregado e empregador , vamos com calma, será que está claro  para você a distinção entre o que é trabalho e emprego? Se não, vamos então esclarecer. TRABALHO: Dentro da sociologia de vertente marxiana é uma atividade genérica que implica na transformação da natureza pelo ser social, que ao mesmo tempo que modifica o meio é transformado por ele, em outras palavras, trabalho é toda ação humana que modifica a natureza e ao fazer isso modifica o próprio autor da mudança.
EMPREGO: É uma condição historicamente determinada que sujeita o ser social que é realizador de trabalho a um típico único de atividade imposta por um outro sujeito social ou pelo capital, ou seja, emprego é o congelamento de todas as potencialidades do trabalho humano em apenas uma atividade na sociedade capitalista. O emprego se tornou a única via de garantir a sobrevivência do ser social, aponta de toda a sociabilidade do indivíduo está relacionada com este tipo de trabalho que ele tem.
O emprego em uma sociedade capitalista possui algumas características comum: O emprego não é visto como produtor de liberdade , pelo contrário é a fonte de medo é bloqueio de capacidades, ele é alienante, pois não é apresentada a dimensão global da atividade, a tecnologia utilizada no emprego é vista como um monstro a ser combatido, pois gera desemprego e a riqueza é o objetivo final de toda relação empregatícia. Bem, definimos e conceituamos a diferença em  o que é trabalho e o que é emprego , mas qual é a nova relação de emprego que existe na atualidade que cria o fenômeno da uberização? Poder dizer que essa relação de exprocriação secundária é potencializada, se antes no modelo fordista em uma sociedade industrial tínhamos claro quem era o empregador quais os momentos o empregado estava prestando os serviços para empresa, agora em regime toyotista esses limites ficam borrados , o exemplo da empresa Uber e por isso vem o nome de uberização é claríssimo, temos um aplicativo de computador que faz o meio de campo  entre o dono do automóvel e a pessoa que quer utilizar o serviço, a empresa dona do aplicativo retira lucro de todas as corridas que o motorista faz e é pago pelo cliente contudo, esse motorista não possui relações de emprego, ou seja, direitos trabalhistas como férias,  décimo terceiro salário, seguro desemprego e etc; com a empresa do aplicativo isso significa que a empresa não é dona de nenhum dos meios de produção que são utilizados nessa prestação de serviço no caso o carro e o motorista; a única coisa e aliás a mais importante que a empresa tem é o controle do aplicativo.  Este é um fenômeno de descentralização absoluta e internacional do trabalho, pense, se antes quem ditava o ritmo da produção seria a demanda de uma certa região , ou o supervisor e até um gerente da fábrica agora com os aplicativos do modelo Uber o controle é feito por algoritmos, que não são pessoas e muito menos estão localizado no país do motorista , não há jornada de trabalho combinada , não há valores pré- estabelecidos, não há segurança na realização do trabalho, o motorista não é empregado é apenas um prestador de serviço casual em algumas vezes.
O conceito leva o nome deste aplicativo apenas por ele ter se tornado famoso e quase hegemônico nos grandes centros urbanos, mas essa é uma nova realidade de relação de emprego/trabalho e capital que poderá se tornar dominante nos próximos anos .
Parece que estamos vendo uma realidade de trabalho sem emprego, pois há uma atividade sendo realizada por um ser social, contudo não há um vínculo de emprego que o segure nessa condição. A uberização é um fenômeno no mundo do trabalho resultado de um conjunto de fatores convergentes: Crise no modelo de estado de bem estar, avanço de políticas neoliberais, a desindustrialização da produção, o aumento demográfico da população mundial, a consolidação da sociedade em rede, a educação voltada para competências, o incentivo ao empreendedorismo, engajamento e força da empregabilidade.
Tememos que a tendência dos próximos anos seja um aumento drástico desse tipo de trabalho sem emprego, em atividades precarizadas e mal ou não remuneradas com uma sociabilidade limitada e aprisionada de uma condição semelhante à de outros seres sociais, este é o futuro mais próximo do que imaginávamos. As máquinas não tomaram nossos lugares, nós a utilizamos para fazer dos sereis sociais mais limitados e menores. Que o caminho tome outro rumo de libertação da essência humana a realização do trabalho criativo e emancipador.
(Sousa, Adriano Soares de)

Referência bibliográfica: http://diplomatique.org.br/resistir-a-uberizacao-do-mundo/
https://theintercept.com/2019/04/08/uberizacao-das-relacoes-de-trabalho/
Imagens: Tiradas da internet                                              

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