O MISTÉRIO QUE SE DESCOBRE VIVENDO

Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Comigo está tudo ótimo graças ao Bom Deus! Hoje último dia do mês de Agosto também será o último texto da série vocação e desde já quero agradecer muito pela repercussão positiva que os textos causaram, quem sabe eu volte a falar do tema a em outra ocasião.
Para  pensar nos desígnios de Deus cito aqui o nosso Papa Paulo VI, "...cada homem é chamado a desenvolver-se porque toda a vida é vocação"(Populorum progressio 15).
Não existe vida pronta, acabada. Pelo contrário, a vida é andar, lançar-se, confiar, acreditar, abrir-se, descobrir-se. Não é sequer possível imaginar uma vida com começo, meio e fim já determinados. Por ser "único" no mundo, irrepetível, cada indivíduo é também mistério, para si mesmo e para os outros. A vida toda é caminho de descoberta desse mistério (de descoberta de si mesmo). porque somos seres não plenamente satisfeitos com a vida presente. Essa é portanto, uma das razões de nossa existência: a transformação contínua, em "vir a ser".
É através da resposta a uma vocação que o homem realizará um projeto. Vocação também é um mistério. O humano e vocação são duas realidades que se unem, embora não sejam realidades distintas, já que o humano é sua vocação.
Sim, o homem(mulher) só pode ser definido por sua vocação. Sendo vocação o chamado de Deus, ao procurar sempre um sentido para sua vida, o homem está procurando responder a esse chamado. Daí que a vocação é sempre resultado do diálogo entre Deus que chama e o homem que responde, ao assumir um compromisso.
A vida não é círculo vicioso, mas caminho dinâmico, gerador de novidades. Este dinamismo depende, e muito, da intensidade do diálogo entre quem chama e quem é chamado, entre Deus e o humano.
Lembro-me que quando era seminarista gostava muito de fazer pastoral no SAV( Serviço de Animação Vocacional) e em um dos encontros vocacionais um jovem disse: "Vocação não é demostração científica, mas experiência de diálogo do homem com seu Criador, com sua história e com sua existência". À medida que dialogamos com nossa própria vida, onde está presente o amor de Deus, vamos dando sentido á existência, vamos descobrindo o mistério que somos.
Por isso, precisamos de momentos de deserto, de reflexão sobre nós próprios. O deserto toma muitas vezes conta do homem e faz com que ele purifique o seu viver. Contudo, não podemos permanecer eternamente no deserto. Não somos deserto, mas fontes vivas. Como ser social, cada um é responsável pela administração dos próprios talentos, a fim de corresponder com facilidade ao projeto que se propõe realizar, através do discernimento da vocação.
Diz o estudioso francês Louis Marchand: "A história do homem  é a história de sua necessidade e de sua capacidade de amar. A vocação individual é o chamado do criador a cada homem para um ou vários compromissos particulares sobre a linha do amor.
Casado ou celibatário, consagrado ou não, médico,advogado ou professor, Papa ou Presidente da república, cada um há de responder à própria vocação ao amor e entregar o próprio compromisso vocacional ao processo de aprendizagem contínuo do amor"( Etapes de la vocation chez l'enfant et l'adolescent", in Supplément de la via spirituelle 80[1967]:55-56).
A vida é caminhar lento. Cada opção traz suas consequências e cruzes, pequenas ou grandes. Assumir uma opção(responder à vocação), como vemos nessas últimas semanas, envolve o ser humano no mais profundo de sua experiência. Não penetrar no mistério da vocação, da existência, de nós próprios, é esvaziar o sentido da vida, renunciar ao direito de viver plenamente e ser feliz.
(Sousa, Adriano Soares de)
Referência bibliográfica: Populorum progressio, Papa Paulo VI, Ed. Paulinas.   
Etapes de la vocation chez l'enfant et l'adolescent", in Supplément de la via spirituelle 80[1967]:55-56.
Imagens: Foto Arquivo pessoal

Comentários