HENRI BERGSON PARTE 2: MEMÓRIA E TEMPO

 Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Comigo vai tudo bem graças ao bom Deus! Acredito que você esteja ansioso pela segunda parte do texto sobre Henri Bergson, então, sem muita delonga daremos sequência ao texto.
Bergson foi um filósofo que inovou a filosofia muito profundamente entre os 30 últimos anos do século XXIX e os primeiros 30 anos do século XX que foi época do auge de sua produção teórica.
  Ele trouxe ideias que eram até então muito pouco estudadas na história da filosofia, entre elas, o tempo. O tempo no sentido de que é aquilo que faz que as coisas apareçam ,passem depois desapareçam ; ele sempre foi um problema para filosofia no sentido de comprometer aquela estabilidade do mundo necessária para o conhecimento, para ação, então desde a antiguidade grega o tempo foi sempre um calcanhar de Aquiles,sempre bolaram estratégias que fizessem com que nós pudéssemos escapar ao caráter transitório do tempo.
  Podemos então perceber, que temos a eternidade como sendo a verdeira realidade do tempo ;e o tempo, esse que nós vivemos que passa em que as coisas surgem e desaparecem ao qual chamamos de tempo transitório; ele seria somente uma aparência do tempo, nossa alma sobreviverá , nosso destino é eternidade e quando a filosofia cristã vem ter uma prevalência sobre o pensamento durante a idade média , isso passou a ser também uma coisa muito considerada tendo em vista a relação que a filosofia tem com Deus que é por exemplo de Excelência o Ser Eterno, então, a ideia que nós vinhemos da eternidade e estamos destinados a voltar para ela sempre foi uma ideia muito forte na filosofia, também  de alguma maneira muito consoladora porque o caráter finito transitório temporal do ser humano é o fato de que ele sabe que vai morrer sempre foi um motivo de angústia da indignação.
Logo, as metafísicas e as religiões  trabalharam no sentido de minimizar esse fato. E o Bergson ele apareceu na segunda metade do século XXIX  com a ideia de desmistificar isso tudo e fazer com que o ser humano viesse a enfrentar de maneira muito positiva e realista a efetividade do tempo,e ter a concepção de que justamente o tempo é aquele em as coisas existem depois não existem mais, elas mudam, deixa de ser como eram, passam a ser de outra forma e até mesmo desparecem, essa é a ideia que ele a duras penas quis celebrar na filosofia como sendo aquilo que é próprio da filosofia do ser humano, ou seja, a dignidade humana não estaria mais em pensar (talvez de forma ilusória) que ele estaria ligado a eternidade , mas justamente em ter a dignidade de aceitar seu caráter transitório efêmero e justamente viver isso com autenticidade.
Sendo assim, essa concepção do tempo que o Bergson trouxe para a filosofia, ela foi verdadeiramente revolucionária, porque pela primeira vez, pelos menos na filosofia moderna, nós tivéssemos  essa possibilidade de pensar e viver o tempo de uma maneira mais existencial do que simplesmente teórica como uma ideia e concepção ,portanto, Bergson tem sua significância na filosofia por conta disso .
  Evidentemente, já que a substância da nossa existência é o tempo, a memória é de uma importância extraordinária .Mas , somos seres mais seres de memória do que do presente, nós somos muito mais passado do que do momento que estamos vivendo,logo, aquilo que nós podemos lembrar é aquilo que nos constitui  na memória .
 Se percebemos, até mesmo o presente onde acontece as coisas , tem muito haver com a memória  que articula e nos auxilia entender o presente mostrando que ele afinal de contas depende de muito das nossas vivências passadas , que a memória é uma espécie de guardiã do presente, ela esclarece o momento atual e ela traz alguma coisa a mais , caso contrário, não podemos entender  as coisas, elas seriam somente instantâneas , mas sempre temos que fazer essa vinculação  com a memória e por isso ela nos faz sujeito e nos faz humanos, pois, ela é a maior parte da nossa consciência e assim do ponto de vista do mundo, e no ponto de vista da humanidade, a temporalidade, a memória que constitui a realidade com o próprio Bergson fala o "estofo das coisas (e inclusive da realidade humana) é temporal " e portanto, ao enfrentamento dessa questão é a consciência nítida dessa temporalidade,dessa transitoriedade , desse caráter passageiro de todas as coisas , inclusive prisões de nós mesmos, é aquilo que dignifica o ser humano, daí vem a liberdade de enfrentar o seu destino.
   Nesse sentido a filosofia de Bergson, foi revolucionária, para o tempo em que ele viveu, ele tentou impor essas ideias, que depois em um futuro não na mesma radicalidade, foram lembradas e continuadas por outros filósofos ao decorrer da história . (continua..)

(Sousa, Adriano Soares de)

Referência bibliográfica:  BERGSON,Henri, A evolução criadora. Editora UNESP,2010.
Imagens : tiradas da internet
                         

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