O QUE EU QUERO?

   Olá pensadores! Tudo bem com vocês? Espero que sim! Comigo vai tudo bem Graças Ao Bom Deus! Esse será o último texto do ano e peço desculpas se deixei vocês na espera de textos novos, vou tentar ser mais presente aqui ano que vêm.
O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman analisa a sociedade a partir da contemporaneidade, definindo-a como líquida, fugaz, onde tudo se acaba ou flui em instantes, não existindo nenhuma garantia de como as coisas serão, seja daqui cinquenta anos ou cinco minutos. Em rota de saída do antropocentrismo, que tem o homem ontológico como centralidade, para uma "nova era" da qual  ainda somos estrangeiros, não sabemos como nos comportar, qual o fluxo dessa nova sociedade.
   Baseadas nas ideias e nos princípios de Bauman existem duas realidades extremamente necessárias para o equilíbrio social e pessoal: liberdade e segurança. Como acréscimo e consolidação da ideia, o autor diz: "Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é o caos desordem(Bauman,p32)".
    Partindo desse ponto de vista, percebo que no mundo atual vive uma bagunça em que a maioria não sabe o que faz ou porque faz o que faz. Buscam-se determinadas coisas, ou algo que não se sabe bem o que é, em uma caminhada sem rumo. O que antes era precioso, considerado imprescindível para a vida que vale a pena viver, agora é subjetivado, sem valor coletivo e, portanto, descartável.
  Família,planos, futuro, bases seguras de análise já não existem. Muito daqueles hábitos que antes eram especiais, agora são considerados comuns e sem grande importância . Pergunto-me: até onde posso chegar ? Por qual estrada devo trilhar minha vida? A partir de quais parâmetros devo partir para buscar meu desenvolvimento pessoal? Como me encontro em meio a tantas pessoas perdidas e como amadurecer diante de tantas ideias imaturas? Como ser melhor que os outros quando vivo diante de tanto egoísmo e um orgulho sem grande sentido?
    Infelizmente a sociedade não me dará essas respostas, pois também não as tem e não sabe se posicionar diante dos assuntos sólidos e permanentes, ,uma vez que vive na realidade do instantâneo, em que as coisas e as pessoas não podem se manter atadas aos seus planos e buscando respostas para questões mais profundas. Ao contrário, exige que todos vivam em uma onda, uma bolha aonde não existe um "eu consistente" e sim uma negação da minha busca; o que conta somente o que está na moda, no auge, na alta temporada,, "no maior sucesso da última semana".
     Realmente toda essa situação é frustrante e desanimadora. Sinto como se não pudesse buscar algo mais profundo como se estivesse agindo de forma errada por não querer me adaptar aquilo que é passageiro, sem raiz, que não tem história. Parece que a sociedade me cobra ser diferente , isto é , para agir como se tudo estivesse bem, como se essas questões de valor, moralidade e ética fossem coisas do passado,que hoje se tornaram obsoletas.
  Hoje, resolvo que não quero viver como se as coisas não fizessem sentido, como se um destino imutável me esperasse, em que a realidade é inconstante e me são proibidos vínculos duradouros. Um mundo em que não posso , infelizmente, ser aquilo que não sou; devo ser um personagem, alguém que só sobrevive, não ser um ser humano pensante, que está muito vivo, alguém que tem sua vida nas próprias mãos . Que faz sua história, constrói laços, que desenvolve e usufrui de suas mudanças, sem jamais perde sua essência, personalidade e razão de existir.
    Talvez aja outros caminhos, outras soluções que direcionem esta nova forma de vida que temos nesse tempo, em que existem facilidades e ganho pessoais que não podem ser negados. Por outro lado, precisamos de algo que não nos deixe inseguros e desejosos de uma proposta-guia , do sentido identitário, individual, que nos ajude a consagrar uma verdade onipresente, atemporal. Uma assertiva maneira de ver o mundo que esteja viva em cada um de nós, no ponto mais importante de nossa existência.  Um encontro com uma "realidade daquilo que é".
      Esse encontro pode nos salvar. Seja do abismo, da escuridão, da angústia que assombra a humanidade e em cada um em particular . Reformulemos, talvez, até a forma de ser feliz. É preciso foco, descobrir os porquês da própria vida e a qual combate estamos lutando, qual estrada estamos seguindo.
        Posso suspeitar que de uma forma ou de outra um dia seremos cobrados por aquilo que não fizemos por nós mesmos, por simplesmente fingir que estamos habituados a esta mentira passageira de que não é preciso ser de verdade. Basta mostrar o que se tem à mão naquele momento ou que quisermos que seja visto , para que sejamos aceitos.
Se não encontrarmos esta verdade mais profunda que cada um de nós tem, o mundo líquido e a sociedade sem princípios perdurarão por muito tempo, até que as coisas cheguem a um fim, mesmo que esse mundo retorne com outro nome, ou com outra aparência ainda que com sua fluidez, desordem e valores ainda hoje não concebidos.
      Eu quero ser livre, quero ser quem sou (ou ser quem eu estou me tornando ser)quero ter vontade própria, segurança, mas não quero nada disso de forma passageira. Quero de Verdade! Mesmo que seja difícil, que me demore  a chegar e os custos seja, altos, me determino cada vez mais a não me vender, e sim a ser quem sou: alguém único, especial e vivo.
(Sousa, Adriano Soares de)
Referência bibliográfica: Modernidade Líquida ,Zygmunt Bauam, Editora, Zahar,2004.
Imagens : Tiradas da internet.
         
        

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