A SOCIEDADE DO CANSAÇO SEGUNDO BYUNG-CHUL HAN

Olá pensadores, tudo bem com vocês? Espero que sim e em tempos de pandemia você esteja em casa, fazendo sua quarentena e rezando para que isso acabe o mais rápido o possível.
  Hoje trouxe para vocês um tema atual de um filósofo atual que vai nos ajudar a entender nossa contemporaneidade e acredito que nos identificaremos com o pensamento do autor, mas antes como é de praxe, vamos conhecer um pouco do filósofo citado.

 QUEM É BYUNG -CHUN HAN


Byng-Chun Han nasceu na Coreia do sul, em 1959, e estudou Metalurgia na Universidade da Coreia. Sua carreira de filósofo da-se iniciou, quando o mesmo muda-se da Coreia para Alemanha no ano 1980, para estudar filosofia , mas também desenvolveu nos estudos de Literatura alemã e Teologia  Católica na Universidade de Freiburg.
Depois de conseguir o título de doutor na mesma universidade alemã desenvolvendo uma tese sobre o filósofo Martin Heidegger, seus estudos levaram a compreender a fenomenologia( a qual estou devendo um texto aqui no blog) e o existencialismo, buscando maior entendimento da relação do humano  com o mundo.
  No ano 2000, o filósofo começou a integrar o corpo docente da universidade da Basileia na Suíça, mas atualmente, é professor de Filosofia e Estudos Culturais da Universidade de Berlim.

O QUE É A SOCIEDADE DO CANSAÇO?

 Você acorda pela manhã e já sente cansado tanto metal como fisicamente? Pois é, este problema não é só seu, em pesquisa recente realizada pelo IBOPE(Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) temos um dado assustador:98% dos brasileiros se sentem muito estressados e cansados e curiosamente jovens constitui a maior parte da legião dos cansados. Essa estatística assustadora não é uma coisa exclusivamente do nosso país , o problema é mundial , nos E.U.A foi constatado que o problema é a falta de sono dos trabalhadores, quase a metade dos norte-americanos dormem menos que o período recomendado para ter uma vida saudável . Com esses dados pautados chamamos para a conversa o filósofo protagonista desse texto Byng-Chun Han para desenvolver a sua tese.
  Han fez uma investigação profunda sobre o tema do esgotamento , escreveu um livro impressionante que leva o nome da sua tese " Sociedade do Cansaço" publicado aqui no Brasil pela editora Vozes (fiz propaganda de graça) . No livro Han argumenta que cada época possui epidemias próprias como por exemplo as bactérias epidemiológicas que marcaram o século XX ( e olha só nos embarcando-nos em mais uma) .
  Para ele, as patologias neurais defini o nosso século (XXI) e pasmei todas elas são manifestações do excesso de positividade. Vivemos presos na masmorra da sociedade do desempenho, e da positividade, para Han as doenças da alma brotam quando de um excesso de positividade presente em todos os caminhos da sociedade contemporânea.
 Darei um exemplo pratico aqui: vejamos os coaches, são os missionários de uma nova religião a Igreja Universal do Empreendedorismo, em suas pregações não faltam as mensagens da ações produtivas e as ideias de que todas as metas são alcançáveis e que o impossível é uma invenção de preguiçosos . Ham resume essa tendência no slogan da campanha presidencial Barack Obama em 2008, "Yes We Can" ( Sim, nós podemos) outro bom exemplo e da marca de material esportivo Nike, "Just do it" ( Simplesmente faça).
 De acordo com o filósofo vivemos em uma época bastante otimista e esse excesso de positividade desemboca em uma sociedade do desempenho, a produtividade acima de tudo e de todos, ou seja, todos os indivíduos são instigados a produzir cada vez mais, Han defende a tese que a sociedade do desempenho seria um contraponto à sociedade disciplinar apresentada por Michel Focault no século XX ( já falei disso aqui no Blog caso achar interessante, ao terminar o de lê esse texto leia o texto de Foucault) Han por outro lado afirma que no século XXI não vemos mais na sociedade disciplinar de Foucault, mas em uma sociedade do desempenho, não é mais necessário que alguém nos monitore e nos obrigue a trabalhar , somo agora sujeito da obediência, o discurso neoliberal nos convenceu de que somos empresários de nós mesmos, você é seu próprio patrão , para que proibições , mandamentos e leis se temos a iniciativa e a motivação? Com tudo, Han declara que a sociedade do desempenho é uma grande produtora de depressivos e fracassados .
   O sujeito do desempenho é mais rápido e produtivo do que aquele que era tutelado pela vigilância. Alcançar as metas se transformou em uma espécie de dever , logo, nunca se ouviu falar tanto de depressão quanto nos dias atuais, posso fala por mim o fato de ver meus amigos de seminário chegar ao seminário me dava a sensação de fracasso, que me deram uma meta que não conseguir alcançar, isso acontece muito também em empresas de call center aonde a todo momento é ti cobrado bater as metas.
  Han argumenta que a depressão surge do cansaço proveniente do exposto do indivíduo de ser ele mesmo , a depressão seria o cansaço de ser você mesmo , fruto da constante pressão para ser mais autêntico e produtivo, portanto, se todos podem mais, mas você não conseguiu seus objetivos, visibilidade, sucesso financeiro, um amor e reconhecimento profissional, você é um perdedor.
  Byung-Chun, o cansaço de si mesmo comina na alto exploração do indivíduo , que se entrega ao excesso de trabalho, munido de um sentimento ilusório de liberdade, podemos citar de exemplo os motoristas de aplicativo . Talvez você conheça alguém  que tenta esconder o seu fracasso existencial com uma fachada de excelência profissional com  a falta de tédio e as multitarefas dando a entender que ele é um excelente profissional. A internet nos deu uma quantidade gigantescas de estímulos, e nós sendo estimulados o tempo todo,e ao invés de sentimos prazer sentimos fadiga e é isso que essas plataformas de streaming, trabalha, ao invés de soltar episódio de forma semanal, ou mensal ela já dispõe todo produto para que na sua fadiga de ver tudo consuma de forma desacerbada. 
 O filósofo grego Platão certa vez disse, seriamos felizes se pudéssemos ficar só em um quarto, mas contradizendo o filósofo clássico , Pascal diz que o nosso problema é que não nos aguentamos , procuramos desesperadamente entretenimento para esquecermos da nossa existência medíocre, nisso Ham observa que somos lançados nas multitarefas citadas linhas atrás, queremos fazer milhares de coisas ao mesmo tempo, vou dar um exemplo clássico, você está assistindo um filme mas, não consegue dedicar 100% de atenção,e, ao mesmo tempo que conversas no aplicativo, quer tirar foto, que assistir outra coisa, quer mexer no notebook , no final não vou o filme, não deu atenção devida com quem estava conversando e seu notebook foi ligado em vão. Han disse que essa falta superficialidade nos iguala aos outros animais.

  Os gregos antigos nos ensinaram uma lição muito significativa, eles diziam que ter um tempo para o ócio é fundamental, mas ao decorrer do tempo, nós para se livrar do tédio, buscamos novas atividades, deixando de lado a boa e velha contemplação, que deu lugar a hipertensão, essa nova modalidade de atenção , está em constante movimento e por essa ração e dispersas em outras palavras, a hipertensão tem pouca tolerância ao tédio e sendo assim, muda constantemente o foco.
 Segundo o filósofo sul-coreano, não devemos evitar o tédio, porque assim como o sono é o ponto alto do descanso físico ,  o tédio seria o descanso espiritual e intelectual .
  Han cita o filósofo alemão Nietzsche para criticar a hipertensão, e a hiperatividade , quando cita que a vida humana acaba quando os elementos contemplativos são expulsos dela, seguindo o conselho de Nietzsche , precisamos lutar contra a hiperatividade ,nesse caso o remédio receitado por Han não é muito diferente dos filósofos gregos antigos, precisamos ter espaço para uma vida contemplativa se desconectar das máquinas e nos conectar a natureza.
Se não fizermos isso, Han diz que teremos o infarto da alma , nisso o cansaço se manisfesta coletivamente, mas de maneira solitária em cada indivíduo, Han define esse cansaço como um cansaço da potência positiva que nos incapacita de fazer qualquer coisa , é uma fadiga do excesso do desempenho e da produtividade que por sua vez tira do indivíduo a capacidade de fazer coisas novas .

  Podemos então, concluir que a sociedade do cansaço um poderoso antidoto contra o excesso de produtividade a hipertensão e a depressão, melancolia e a angústia, e que precisamos reagir e talvez a melhor de todas as ações seja a não ação.

(Sousa,Adriano Soares de)   

Referência Bibliográfica: BYNG-CHUL HAN, Sociedade do Cansaço, Editora Vozes, Pétropolis,RJ, 2019.
Imagens: Tiradas da Internet  
                                         
                

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