FILOSOFANDO NO CINEMA: A ONDA

Olá pensadores, tudo bem com vocês? Comigo vai tudo bem graças a Ao Bom Deus! E hoje vamos fazer uma coisa, que a muito tempo não fazemos: Analisar um filme com uma visão filosófica e ainda iremos fazer comparações com a nossa situação atual, e o filme escolhido é o filme "A ONDA" (DIE WELLE).
O filme é uma produção alemã de 2008, Remake de uma produção americana de 1982, e a sinopse é mais ou  assim:

Em uma escola alemã, alunos tem que escolher entre duas disciplinas eletivas, autocracia ou anarquia. O professor Rainer Wenger interpretado pelo ator Jürgen Vogel, é designado contra sua vontade a lecionar a disciplina de autocracia. Vendo a falta de interesse dos alunos, para chamar a atenção dos mesmo, ele sugere um governo fascista dentro da sala de aula. E eles dão o nome de A ONDA , a coisa fica tão séria que teve uniforme e saudação. A coisa fica tão séria que o movimento vai além da sala de aula, e o professor perde o controle da situação, e os alunos começam a propagar A ONDA por toda a cidade, fazendo o movimento existir no cotidiano da cidade.

 Quando as coisas começam a extrapolar, o professor Wenger tenta por fim no projeto mais é tarde de mais.Lembrando que o filme é baseado em fatos reais, em Abril de 1967, na cidade de Palo Alto na Califórnia, o professor Ron Jones, fez um experimento mostrado no filme com seus alunos, e o  chamou "Third Wave".
Bem, o que podemos pegar de exemplo do filme para compararmos com a nossa realidade? É isso, que vamos ver agora:  
 No começo do filme o professor Wenger pergunta para seus alunos, em que se dá um governo autocrático? Um responde ideologia, as respostas seguintes são, controle vigilância, mas uma resposta chama a atenção do professor: insatisfação, e podemos sentir isso tanto na Alemanha pós-primeira guerra mundial, como no Brasil pós eleição da Dilma. 
A  Alemanha do começo do século passado se encontrava em ruínas (devido a primeira guerra) perdido muito dinheiro com indenizações aos vencedores, passava pelas consequências da revolução alemã, que pôs fim a monarquia.

O Brasil nos últimos anos do governo petista, se via mergulhado em um mar de corrupção, em uma taxa de desemprego alta (baixa em relação a atual) e o povo perdendo o poder de compra, ou seja, tanto a Alemanha, tanto o Brasil viviam momentos de insatisfação.
 Outra coisa que fica latente no filme é que todo poder autocrático tem que ter um líder, alguém que sirva de referência, na ficção escolheram o professor, pois, ele é a figura de respeito da sala. Passando para nossa realidade a figura escolhida é alguém que se coloca como a ordem, até porque no Brasil vivemos em uma sociedade patriarcal, e que ainda tem resquícios da ditadura, logo é eleito um ex-capitão que se auto-nomeia a lei.

Se coloca na medicina e receita Cloroquina, se coloca como líder religioso e manda todo mundo fazer jejum, se coloca como juiz e quer fazer que a lei seja de acordo com seus interesses.
Outra coisa, que fica claro é que um governo autocrata tem que ter um inimigo, comum, no caso do filme o inimigo era os alunos que estudavam anarquia, no caso da Alemanha nazista era os bolchevismo e no Brasil inventaram um inimigo chamado comunismo, sendo que a esquerda esteve no poder por 16 anos e nunca teve essa ameaça aliás, o Brasil não pode virá comunista devido ao inciso número 22 do artigo quinto da nossa constituição que é causa pétrea, ou seja, quem tentar modificar corre sérios riscos de perde o cargo, mas vamos voltar ao assunto do filme.

Outra coisa que fica evidente são os símbolos, ou seja, aquilo que une o grupo, e foi colocado um uniforme para grupo, todos na sala de aula começaram a vestir camisa branca, ter um gesto que simboliza o grupo, e um slogan. Na Alemanha nazista, como disse no texto passado, era comum colocar nas fivelas dos soldados: "Deus está conosco", mas o lema de campanha do partido nazista em 1930 na tradução ficaria: "Exigimos, liberdade e pão". No Brasil não é diferente, Bolsonaro utilizando do lema dos paraquedistas da aeronáutica  e abusando da religiosidade do povo brasileiro fez a junção de "Brasil acima de tudo e Deus acima de todos ", se apossou da camisa de nossa seleção de futebol, que aliás tomem ranço e seu sinal é faz arminha para o alto.

Outra coisa que o filme mostra e a questão de que para abraçar uma ideologia, você tem que abraçar ao todo se você discordar de alguma coisa, você não pertence ao grupo, e é assim também no filme e não é muito diferente de nessa gestão. Pode se notar o quando de pessoas que eram amigas na campanha e hoje são tratadas como Judas, o último foi o Ex-ministro Sérgio Moro.

E por fim,  o impacto individual de cada personagem, o filme também acerta ao descrever de maneira crédula seus relacionamento com a família e a predisposição para aceitar a transformação. Uma juventude descrente do futuro que, por não enxergar uma identificação com a política , pode se deixar levar por "alternativas de governo" . O filme mostra a imagem de liderança que o professor constrói perante aos seus alunos e as consequências dessa legitimação de poder. No Brasil, boa parte dos jovens de 18 a 20 anos, cresceram vendo superpop, ao qual a única referência política era o Bolsonaro.

Fica claro no enredo como regimes autoritários e a manipulação das massas pode ser feita de forma gradual e imperceptível. As ações injetadas a favor da unidade do grupo são tratadas de forma natural, e, com o tempo, tomam grandes proporções.

Que fique nítido também, que uma sociedade democrática não está imune ao fascismo, que pode ser considerado perigosamente sedutor. Certos regimes,como o nazismo, podem não renascer na sua totalidade, mas alguns elementos considerados inofensivos, podem em conjunto, desencadear um efeito devastador.
(Sousa, Adriano Soares de)

Referência Bibliográfica: A ONDA, 2008 (Die Welle) Alemanha.
Imagens: Tiradas da Internet
Vídeo:https://www.youtube.com/watch?v=BG3dxuH77I4                             
  

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