EPOCHÉ

Olá pensadores, tudo bem com vocês? Comigo vai tudo bem graças ao Bom Deus! E mais uma vez nos encontramos para falar de um jeito simples e objetivo dos acontecimentos do nosso dia a dia com um olhar filosófico da coisa.
Pois bem, na última semana com as manifestações antifascistas acontecendo nos quatro quanto do nosso país, nos deparamos em nossas redes sociais com o termo antifa, que é uma abreviação de antifascista, e teve pessoas que não manisfestaram nenhum tipo de opinião, mas se essas pessoas não são pró-movimento, então,posso automaticamente chamá-la de fascista? Ou se a pessoa não se declarou antirracista ela é racista? Enfim, uma´pessoa que exime de qualquer forma de discurso, ela é denominada de que? 

A esse tipo de comportamento damos o nome de epoché, e para entender melhor o conceito dessa palavra vamos ver a etimologia dela: epoché vem do grego, e de uma forma muito direta ela significa suspensão do juízo . A ideia mais básica que podemos falar é que epoché  é oposta ao dogmatismo,ou seja, ele faz com que o pensador se oponha a ideia de que existe uma verdade pré-estabelecida que precisa somente ser descoberta e, depois ser assimilada para moldar a vida.
Você que deve ter um breve conhecimento de filosofia deve está  perguntando: "Adriano, então esse modo de pensar é da filosofia cética"? E você não pensou errado, nós temos sim um período da filosofia em que a epoché se ligou ao ceticismo,melhor dizendo, ela nasce muito enraizada dentro do próprio ceticismo, o filósofo Pirro de Élis (360 a.C- 270 a.C) vai dizer que nós precisamos fazer uma suspensão do juízo em relação à realidade , e para conceituar melhor daremos o nome de Epoché cética. 

A epoché cética, não tomava nada como bom ou mau essencialmente, na verdade , tudo que se apresentava aos céticos era tomado como algo natural, por isso a pessoa que se identificava com esse pensamento, elevava sua própria alma a um estado de impertubabilidade; essa ataraxia que a maioria dos pensadores helênicos  procuravam , era alcançada pelos céticos no momento em que eles se negava a oferecer juízo ou alguma afirmação sobre a realidade que para eles se apresentava.
Esse mesmo conceito, foi readequado, readaptado, reinstalado dentro da corrente filosófica denominada de fenomenologia ( eu sei, estou devendo um texto sobre o tema desde a fundação desse blog) ,principalmente no pensamento do filósofo Edmund Husserl (1859-1938).
Husserl, criticava a filosofia moderna que seja pela via do empirismo ou pela via do racionalismo,pois ambas separava o sujeito do objeto.

Sendo o sujeito separado do objeto, aqueles que acreditavam que a verdade vinha do sujeito , diziam que essa mesma verdade já existia a partir da razão humana ,por outro lado, aqueles que acreditavam que a verdade vinha do objeto, e, somente era assimilado pela razão humana . Também acreditava em uma pré -existência de uma verdade ou pelo menos na possibilidade de uma verdade ser construída .Seja de uma forma ou de outra , a crítica de Edmund Husserl a modernidade , se dá no fato de que em ambas as maneiras, nós estamos afastados da realidade ou deslocado dela a partir da conceituação de sujeito e de objeto assim nós não entendemos que nossa consciência faz parte do mundo, para Husserl a nossa consciência é apenas uma interpretação de dentro da realidade. Assim não existe objeto sem sujeito e muito menos sujeito sem objeto.

Na verdade, os dois estão interligados , o sujeito conhece o objeto a partir de uma interpretação da consciência sobre ele e na verdade a própria consciência também se torna objeto, então, não há mais separação os dois fazem parte da mesma realidade , dessa maneira a coisa não é simplesmente uma coisa em si ,mas, aquilo que eu entendo dela e como ela é para mim. Portanto, uma fotografia,por exemplo não vai ser apenas um objeto que pode ser colocado  em um museu, porque a medida que eu olho para essa fotografia ela vai causar em mim certas representações , certos juízos e certas interpretações. Podemos concluir então, que, no momento que eu me ligo a esse objeto que no exemplo é a fotografia , eu crio um outro mundo a parte dos significados que eu dou para ela .

É nesse momento que devemos nos utilizar da epoché fenomenologia , pois nela nos tornamos observadores, desinteressados do mundo , abrimos mão das interpretações pessoais , das interpretações prévias e das cargas conceituais que a coisa tem para nos oferecer. Dessa forma a epoché segundo Edmund Husserl , pode apresentar de duas maneiras: como redução psicológica , é quando eu coloco tudo que está fora de mim em suspensão , não tomo nada por verdadeiro e nada por acabado, assim eu recuso a experiência empírica como sendo a única possível para me levar a uma verdade. Bem, eu renuncio  até mesmo a toda experiência empírica como promotora de conhecimento.
A segunda maneira se denomina como : redução fenomenológica , essa por sua vez é o momento em que eu coloco o próprio eu em suspensão , a própria atividade racional que agora é vista como desconfiança. Esse momento , eu reflito a própria reflexão , eu penso o próprio pensamento e coloco a própria capacidade de suspender a realidade porque não haverá de ser a minha maneira de conhecer a realidade, por isso, eu devo suspeitar dela e esse é o momento que eu coloco em suspensão os juízos , sejam eles empíricos ou racionais. Enfim, eu recebo o mundo como ele é e não mais faço nenhum tipo de colocações prontas sobre ele.  
(Sousa,Adriano Soares de)

Referência Bibliográfica: A ideia da fenomenologia, Edmund Husserl, Editora Vozes, Petrópolis,2010.
Dicionário de Filosofia , Nicola Abbagnano , Editora WMF, São Paulo, 2009.
Imagens: Tiradas da internet 
  
                 

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