PENSADORES BRASILEIROS PARTE 1: O HOMEM CORDIAL DE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA

Olá pensadores, tudo bem com vocês ? Comigo vai tudo bem graças a Deus! Nesse mês de Julho darei inicio a mais uma série, e explico o motivo, sempre postei aqui pensamento de filósofos clássicos e contemporâneos de outros países, e um aluno me fez a seguinte pergunta? "-Professor não existe nenhum pensador de relevância brasileiro? Vejo o senhor sempre postando o pessoal da "gringa" mas nunca posta nada do Brasil"! Pois bem, vi isso como desafio e irei dedicar esse mês somente com pensadores brasileiros.
 E antes de vir a pergunta ao final do mês: "nossa você postou somente homens, não teve nenhuma mulher"!? No mês de Março do próximo ano dedicarei textos somente para pensadoras brasileiras, Ok?
E vamos começar falando do historiador ,sociólogo e jornalista  e pai do grande cantor e compositor Chico Buarque de Holanda: Sérgio Buarque de Holanda.

BIOGRAFIA

Sérgio nasceu no dia 11 de julho de 1902 na cidade de São Paulo, mas mudou-se para o Rio de Janeiro na adolescência, na sua juventude graduou-se em direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas do Rio de Janeiro e paralelamente escrevia poesias e contos, além de ser um das referências cariocas no movimento modernista   que aconteceu em São Paulo.
Trabalhou em vários jornais até pouco tempo depois termino do Bacharelado em Direito, pois, tempo depois mudou-se para Alemanha precisamente em Berlim, nesse período conheceu pessoalmente o sociólogo alemão Max Weber. 
Em 1956, Sérgio assumiu a cátedra da História da Civilização na USP( Universidade São Paulo) posto que permaneceu até 1969, quando pediu aposentadoria em solidariedade aos professores afastados da universidade devido ao AI-5. Faleceu no dia 24 de Abril de 1982 na sua cidade Natal.   

PRINCIPAL OBRA

Quando retornou ao Brasil na década de trinta, Sérgio trouxe consigo grandes anotações na qual se tornou sua principal obra, Raízes do Brasil, um clássico livro sobre a formação do nosso país.

PENSAMENTO DO AUTOR

Imagine essas situações: furar a fila do banco porque você conhece um homem lá na frente, pedir a extensão do prazo de entrega do trabalho porque você é amigo do professor, como você chamaria essas situações?   Malandragem? Esperteza? Jeitinho brasileiro? Isso tudo tem outro nome na sociologia. Sérgio Buarque de Holanda quando morou na Europa disse que  esse distanciamento do Brasil permitiu que ele analisasse alguns jeitinhos presentes no Brasil. Uma delas é o conceito chamado de "Homem cordial". Significa aquilo que vem do coração e o brasileiro padece dessa característica, a cordialidade. A cordialidade do brasileiro é de  quando éramos rurais,quando a família patriarcal era o centro das relações brasileiras. Família patriarcal é aquela em que o pai detém todo o poder e todos se submetem a ele.

Como se trata da família, Holanda acredita que acontece em âmbito privado, nas chamadas quatro paredes. A cordialidade é demonstrada na hospitalidade e no jeito que cuidamos de todos, querendo encurtar distâncias e fazer amizades, mesmo que isso implique em burlar algumas regras, ela nos diz que devemos ser parceiros e darmos um jeitinho para facilitar a situação para alguém próximo de nós. Isso é bom demais, contudo a também ao jeito negativo e violento da cordialidade, assim como o homem patriarcal. 

Um exemplo que acontece muito em uma cidade mineira cujo o codinome é o Reino tão tão distante: há a marcação de consulta que deve seguir uma fila de atendimento do SUS mas, se você tem um conhecido ou parente que trabalha no posto médico ele consegue burlar o sistema e colocar seu nome na frente dos outros, esses por sua vez vão demorar ter seu exame marcado pois não teve ninguém que pode ser cordial com ele.Vamos ver isso agora no espaço geográfico e vou usar de exemplo a cidade mineira de Esmeraldas. 

A cidade tem um espaço territorial enorme e os cidadãos que ali vive são carentes de políticas públicas,logo, falta saneamento básico, educação, saúde e segurança, a menos que você habite em um dos condomínios luxuosos da cidade, aí você terá de tudo do bom e do melhor.Sem contar que essa cordialidade gera outro impasse e esse é o que pode está mais velado à relação público privado.

 Esse modo de lidar com as pessoas, herança da família transcende e invade o espaço público e o problema está justamente aí, quando as relações que possuímos na esfera íntima ou modo de estabelecer essas relações invade o espaço público os impasses acontecem. Colocarei agora como exemplo a cidade mineira de Ibirité na qual existe uma família que se acha dona da cidade e os habitantes(principalmente os mais antigos)tem essa ideia de patriarcado na gestão da cidade. Gente! família não é estado e estado não é família, a família acaba quando o estado começa, é necessário haver uma ruptura entre essas duas esferas, ou seja, o privado acaba quando começa o público. 

   O problema que enfrentamos com a cordialidade é a invasão da esfera privada na esfera pública. Decorrente dessa invasão temos alguns fenômenos bem conhecidos no Brasil como por exemplo o clientelismo, coronelismo e o patrimonialismo, essa cordialidade que invade a esfera pública acaba com a possibilidade da racionalização, lançamos mão de estratégias particulares e amigáveis de encurtamentos de distâncias para alcançar o que queremos e deixamos de lado aquilo que publicidade da esfera estatal exige que é a igualdade dos membros. 

Podemos ir mais fundos nesses impasses e desdobramentos da cordialidade,; vejamos a nossa dificuldade de lidar com a democracia, com a res pública , ora, se a democracia exige uma concepção de coisa pública de uma maioria impessoal deliberativa de igualdade de condições, a cordialidade vai na contramão disso tudo , como citados nos exemplo acima privilegiamos os contatos primários ao invés da impessoabilidade  no trato, queremos que vença os nossos amigos ao invés de um coletivo desconhecido , preferimos dar uma oportunidade para nossos amigos do que seguir regras.  
Enfim, a cordialidade não percebe desigualdades não compreende mudança , não aceita submissão.
(Sousa, Adriano Soares de)

Referência Bibliográfica: Raízes do Brasil, HOLANDA, SÉRGIO BUARQUE DE, Ed. Companhia das Letras , São Paulo 2013.

Imagens: Tiradas da Internet       

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