PENSADORES BRASILEIROS PARTE 2: FLORESTAN FERNANDES E O NEGRO INTEGRADO NA SOCIEDADE DE CLASSES

Olá pensadores, tudo bem com vocês ? Comigo vai tudo bem graças ao Bom Deus! Hoje iremos falar de um dos maiores sociólogos brasileiro que deixou um grande legado na sua obra e na minha humilde opinião, pouco valorizado: Florestan Fernandes.

BIBLIOGRAFIA

Florestan nasceu no dia 22 de Julho de 1920 em São Paulo , não conheceu o pai e foi criado por sua madrinha que sempre o incentivou-o a estudar, na dificuldade da época parou os estudos para trabalhar e ajudar nas despesas de casa; trabalhou como engraxate, em uma padaria e em um restaurante, mas, aos 17 anos voltou aos estudos .
No ano de 1941 Florestan ingressa na USP e se gradua em Ciências Sociais no ano de 1943, no mesmo ano começou a colaborar com os jornais, como A Folha de São Paulo, e  A Folha do Amanhã. 
Fez pós-graduação em Sociologia e Antropologia na Escola Livre de Sociologia e Política no ano de 1946. No ano seguinte, obteve o título de mestre em Ciências Sociais com sua dissertação "A Organização Social dos Tupinambá", trabalho esse que foi premiado em 1948 e foi considerado um clássico da etnologia brasileira. 
Já em 1951( ano do mundial do Palmeiras) tornou-se doutor em Sociologia pela USP, com a tese "A Função Social da Guerra da Sociedade do Tupinambá ". Dos anos 50 em diante ficou muito conhecido como militante da educação em nosso país. Faleceu no ano de 1985.

PUBLICAÇÕES

  Florestan Fernandes é um autor de peso quando o assunto é Brasil, publicou várias obras cujo o maior objetivo e compreender o nosso  país. Como já foi dito aqui sua dissertação de mestrado foi sua primeira obra ( A Organização dos Tupinambá) e sua tese de doutorado também virou um livro (A Função Social da Guerra da Sociedade do Tupinambá) essas por sua vez, são obras para aqueles que  querem aprofundar na vida das sociedades indígenas brasileiras.
Em 1959 publicou dois livros: A Etnologia e a Sociedade Brasileira e Fundamentos Empíricos da Explicação Sociológica, entre outras, mas a que vamos abordar aqui  nesse texto e sua obra de 1978 A Integração do Negro na Sociedade de Classes e  a Revolução Burguesa no Brasil essa de 1975.

O PENSAMENTO DO AUTOR

Nessa obra, o autor apresenta os impasses que os negros vivenciaram frente à passagem pautada em regime de trabalho escravo para uma de trabalho livre. Hoje está mais claro para o campo científico brasileiro que a abolição da escravidão no Brasil, diga de passagem o último país a tomar essa decisão no mundo, não foi um ato de benevolência e sim uma resposta as demandas internacionais para o fim do uso dessa mão de obra.
Antes mesmo da assinatura da lei, a mão de obra escrava estava senso dispensada, em virtudes de problemas econômicos alguns donos de fazenda estava se livrando de seus escravos, está parte considerável da população brasileira (os negros) buscavam novas oportunidades nas cidades brasileiras principalmente nas capitais.
A discussão que Florestan apresenta nessa obra é sobre a dinâmica da cidade de São Paulo frente a toda essa transformação .
Este é o pano de fundo que temos desenhado até o momento: pressões internacionais para o fim da escravidão e a dispensa de escravos em virtude de problemas econômicos, juntamente com esses fenômenos começa a ser implantado no Brasil o conhecido sistema chamado de capitalista dentre outros aspectos exige a liberdade como princípio fundamental ,inclusive,  de vender sua força de trabalho onde  estiver precisando.
Somando esses aspectos, Florestan Fernandes se pergunta: como a população negra poderá participar dessa nova fase da realidade brasileira sendo que, até o momento, eles foram alijados de condições sociais positivas? Como se integrar em uma sociedade livre sendo que só experimentaram a escravidão? 
Esse é o ponto central, a população negra brasileira , que era utilizada como mão de obra escrava até 1.888  não teve condições materiais suficientes para acumular recursos de poder para participar da sociedade plenamente. Eram restringidos de participar de escola, de direitos trabalhistas, de boas moradias, de boas experiências sociais , de criar vínculos e participar politicamente, ou seja, a força de trabalho que sustentava o Brasil até 1.888 não teve condições de construir uma vida plena socialmente e completa.
Nisso, está incluída a não familiaridade com a liberdade, os negros escravos no Brasil não sabiam o que era ser livre antes de 1.888, o que conheciam era o trabalho forçado, as péssimas condições de moradias, a proibição de ir e vir dada pelo seu dono e assim por diante. Como essa parte da população poderá participar agora de uma sociedade que exigi e prega a liberdade ?
A partir de 1.888 com a liberdade jurídica dos negros teremos um processo que dificultará ainda mais a integração deles nessa nova sociedade : a vinda de imigrantes!
 De todas as partes do mundo imigrantes chegam ao Brasil na tentativa de buscar novas oportunidades, esses, segundo Florestan Fernandes, além de serem brancos, já tinham uma experiência com o trabalho livre , pois, em seus países de origem este, era o regime de trabalho .
Sendo assim, nessa nova configuração de mercado de trabalho brasileiro duas massas de mão de obra irão concorrer: os negros ex-escravos e os imigrantes. Florestan relata que na cidade de São Paulo as oportunidades serão melhor aproveitadas pelos imigrantes, veja isso em uma parte do livro: " A mudança do estado social  não trouxeram consigo a redenção da raça negra e os negros e mulatos custaram a perceber isso. Eles haviam sido expropriados da sua condição de dependente e submisso recebido peso do seu destino mas não os meios para lidar com essa realidade . Sua única direção foi a marginalização diante do desamparo real incorporar a escória do operariado urbano ou procurar ócio dissimulado na vagabundagem sistemática ou na criminalidade fortuita meios para salvar as aparências e a dignidade de homem livre "Florestan p.29.
Toda essa reflexão realizada por  Florestan tem um foco: desconstruir o mito que no Brasil vivemos uma democracia racial na qual fala Gilberto Freyre (1900-1987), Segundo esse autor na sua famosa obra "Casa Grande & Senzala". 
Nesse livro Gilberto aborda especialmente aspectos relacionados a miscigenação, ocorrida com tanta intensidade potencialmente porque havia poucas mulheres brancas disponíveis na colônia. A igreja Católica, diante desse cenário de escassez, incentivou o casamento de portugueses com indígenas (jamais com negras).
A ideia de Florestan foi tentar fazer uma antítese  contra essa ideia falsa que existe um equilíbrio uma harmonia e uma igualdade de condições entre a população brasileira, pelo contrário, Florestan constata principalmente em São Paulo,que ocorre um processo intenso de marginalização da população negra que será a base da desigualdades raciais encontradas em nosso país até hoje . A marginalização, portanto, têm uma causa , histórica, social e política  que não é culpa de ninguém e explica a realidade atual .
(Sousa, Adriano Soares de)
Referências bibliográficas: A Integração do Negro na Sociedade de Classes, FLORESTAN FERNANDES, Editora Azul,1978 São Paulo.
Casa Grande & Senzala, GILBERTO FREYRE, , Editora Global, 2019, São Paulo.
Imagens: Tiradas da Internet. 
                   

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