PENSADORES BRASILEIROS PARTE 3: PADRE VAZ, O FILÓSOFO BRASILEIRO

Olá pensadores, tudo bem com vocês? Comigo vai tudo bem apesar dos pesares. Vamos dar sequencia a nossa serie de pensadores brasileiros hoje trazendo um que, se você não é do meio filosófico provavelmente nunca ouviu falar. O hoje saberemos um pouco mais de Henrique Cláudio de Lima Vaz ou simplesmente Padre Vaz.

BIBLIOGRAFIA

Henrique Cláudio de Lima Vaz, além de ser brasileiro é mineiro da histórica cidade de Ouro Preto. Ele nasceu no ano de 1921 e aos 17 anos ingressou no seminário jesuíta aonde se graduou em filosofia e teologia. Em 1958 ordenou-se padre e em seguida foi para Roma  fazer seu doutorado na Universidade Gregoriana, título esse que lhe foi concedido em 1953 com a tese De dialectica et contemplatione in Platonis, que fala sobre a dialética e a intuição nos diálogos platônicos da maturidade. 
Voltando ao Brasil, trabalhou como professor durante 50 anos sendo que os primeiros anos foi na Faculdade Jesuíta de Nova Friburgo no Rio de Janeiro. Em 1981 começou a lecionar na UFMG da qual recebeu o título de Professor Emérito em 2001. Padre Vaz veio a falecer no dia 23 de Maio de 2003, por complicações pós- operatórias.

AS OBRAS DO AUTOR

Padre Vaz tem aproximadamente 15 livros publicados entre eles está o Ontologia e histórias, Escritos de Filosofia I,II, III ,IV, V, VI, VII, há também Antropologia filosófica I,II, Ética e direito entre outros.

PENSAMENTO DO AUTOR

Um dos maiores desafios da vida é saber que nós somos responsáveis pela nossa realização ou frustração . A insegurança que possa aparecer diante de ser ou não ser ,ou ser o que não devo ser é uma aventura dessa vida que só vivemos uma vez e não tem ensaio para viver bem, é um jogo que já começou e que se aprende jogando.
Pois bem, se vocês estão vivos(e espero que sim) com certeza passa pela tarefa de si realizar, e Padre Vaz durante sua filosofia nos dá pistas de realizar- nos como pessoa .
Padre Vaz  nos ensina que "a maior tarefa da nossa vida é realizá-la , ou seja, uma das tarefas mais constantes e mais profundas do homem é de que a realização da própria vida , sendo para nós um desafio  permanente  é ao mesmo tempo uma tarefa nunca acabada é o risco supremo de ser ou não ser". (PadreVaz.p146) .
Há uma enorme diferença entre existir simplesmente e existir com sentido. Não há maior frustração do que um dia vivido sem realizar nada, pior ainda seria uma vida toda cheia de dispersão e de perda de tempo. A tarefa que ninguém irá fazer por você ou por mim é a tarefa da realização da própria vida e isso talvez seja uma das nossas maiores inseguranças : simplesmente ser ou ser mais , e é incrível como sempre queremos ir além .
O ser humano não se contenta com simplesmente ser, se ele fica estagnado, logo começa a entristecer-se e percebe-se sem sentido porque é um impulso interior para realizar mais e melhor a nossa própria vida e, essa realização já estava presente no pensamento de Platão com a noção de Paideia (é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento) e também por Aristóteles com a Eudaimonia (significa atingir o potencial pleno de realização de cada um através da virtude) .
Baseado na filosofia antiga, para dar sequência em sua obra, Padre Vaz segue com um trecho  da poesia do poeta grego Píndaro, que vai ser o ponto central de sua obra: "Torna-se quem tu és".
Essa afirmação do poeta grego conduz Padre Vaz para outra pergunta: como me torna o que sou sem saber o "conheça-te a ti mesmo"? O ser humano é um ser com grande aspirações , percebemos que nenhuma realidade material consegue responder à altura de seus anseios mais profundos ,portanto, não é qualquer ação que nos torna o que realmente somos , mas isso só percebemos através do autoconhecimento ,por exemplo, podemos agir sempre de maneira egocêntrica procurando impor nossas ideias e submetendo os outros as nossas vontades ou podemos nos anular nos nossos relacionamentos seja de amizades, familiares ou amorosos, fazendo sempre a vontade dos outros sem expressar o que somos .
Os 2 exemplos mostram uma grande tensão entre a nossa individualidade e a nossa alteridade. Atos que nos tornam o que somos, são atos unificadores, ou seja, são atos de realização; como podemos realizar a nossa vida? 
Para Lima Vaz, somos seres corporais,psíquicos e espirituais ,portanto para nos realizarmos, precisamos realizar todos os aspectos da nossa vida. Não basta considerar somente o corpo e a saúde ou considerar nossa psique unificando as nossas fragmentações anteriores como emoções e sentimentos , porque na dimensão espiritual está o ápice do nosso ser , apesar, de muitas correntes do pensamento moderno negar essa dimensão ao meu ver importante.
Se diz espiritual porque não é uma dimensão material, mas imaterial , trata-se da nossa razão e vontade que unifica tudo o que somos ; a partir delas temos uma abertura ao ser e portanto, nós como seres também espirituais só podemos encontrar correspondência verdadeira  com o espiritual e não com a dimensão material.
Atualmente os ideais de realização do ser humano na sociedade estão muito relacionados a profissão, ao trabalho ao status, a conta bancária, as relações amorosa e a família, mas tudo isso que possui importância em grau maior ou menor , segundo Padre Vaz , não é suficiente para aspirações humanas, isso porque a uma sede de absoluto e só nesse Absoluto transcendente e imaterial é que o homem pode intencionar a sua realização .
Em outras palavras pode ser dito como Bem a Verdade e Deus,ou seja, fica claro que não é qualquer ato que nos humaniza ou nos realiza, mas somente aqueles atos que estão de acordo com os anseios mais profundos do nosso ser e esses anseios estão na dimensão espiritual e na relação com a transcendência que nos possibilita de tornamos o que somos ou realizar nossas potencialidades de conhecer a verdade , consentir ao bem , reconhecer no Absoluto a existência a fonte primeira da verdade e do bem.
(Sousa, Adriano Soares de)

Referência bibliográfica: VAZ, Henrique C. de Lima. Antropologia filosófica I. São Paulo: Loyola, 1991. (Filosofia, 15).
VAZ, Henrique C. de Lima. Antropologia filosófica II. São Paulo: Loyola, 1992. (Filosofia, 22).

Imagens: Tiradas da Internet.

      

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