PENSADORES BRASILEIROS PARTE 4: JESSÉ SOUZA E A ELITE DO ATRASO


Olá pensadores, tudo bem com vocês? Comigo vai tudo bem graças ao Bom Deus, e dando sequência aos nossos trabalhos, durante a semana deparei-me contra indagação: um fã do Blog me perguntou se em nosso país só existem pensadores mortos, cadê os pensadores da atualidade? Ele já estava no cronograma, mas resolvi adiantá-lo até porque sua tese está mais latente do que nunca, portanto vos apresento ele Jessé Souza!


BIOGRAFIA E OBRAS DO AUTOR
Jessé Souza nasceu no dia 29 de Março de 1960 na cidade de Natal no Rio Grande do Norte. Graduou-se em Direito pela a UNB (Universidade Nacional de Brasília) e posteriormente fez mestrado em Sociologia pela mesma Universidade. Tornou-se doutor em Sociologia na Alemanha na Universidade de Heidelberg e é pós-doutor em Psicanálise e Filosofia na New York School for Social Research, que lógico é cituada em New York nos E.U.A .
Se você estuda Sociologia nos dias atuais com certeza já se deparou com algum artigo ou livro de Jessé Souza porque são mais de vinte artigos e livros publicados em vários idiomas. Entre os mais conhecidos se destacam  A Tolice da Inteligência Brasileira , A radiografia do Golpe,Os Batalhadores Brasileiros (Editora UFMG) o mais recente A Classe Média no Espelho (Editora Estação Brasil ) e por último ao qual iremos no aprofundar dar  A Elite do Atraso (Editora Leya) .

A TESE DO AUTOR
Provavelmente você que não é alienado ficou estarrecido com falas como essas: ... "O Dólar alto é bom, empregada doméstica estava todo ano indo para Disney, tava uma festa danada" ou falas como “Você pode ser macho na periferia, mas aqui é um bosta. Aqui é Alphaville” ou falas como essa "Cidadão não! Engenheiro Civil melhor que você!"
Bem, isso sempre aconteceu mas agora está evidente porque temos um governo que apoia esse tipo de atitude. Mas o autor dessa semana em sua tese vem nós mostra que como esse discurso ganha força.
   Lançando uma luz histórica e fazendo quase que uma genealogia de como chegamos a este Brasil que hoje temos, ele explica que não é bem assim a propalada influência de como a colonização portuguesa nos tornaram patrimonialistas com uma tendência à desonestidade e a corrupção. Para isso não poupa o que ele chama de “intelectuais brasileiros” e não mede criticas a Sérgio Buarque de Holanda,(no qual eu não concordo) Raimundo Faoro, Fernando Henrique Cardoso e Roberto DaMatta num claro discurso contra as tradicionais interpretações do Brasil formuladas na USP e perpetradas por estes. Da USP, só poupa Florestan Fernandes por conta de sua atenção aos conflitos sociais “realmente fundamentais”.Como escrito na capa do livro, para o autor, o impeachment de Dilma Roussef em 2016, constituiu-se “uma pacto dos donos do poder para perpetuar uma sociedade cruel forjada na escravidão”.

Para ele, “essa tese do patrimonialismo ocupa o lugar da centralidade da escravidão entre nós e representa uma estratégia de tornar invisível a própria herança desta”. Souza chega a perguntar: Como se constrói, no século XX, uma sociedade que reproduz todas iniquidades do ódio, humilhação e desprezo contra os mais frágeis que caracterizam esta escravidão?
E é ai que ele centra a sua teoria no seu livro, ao propor que a origem das mazelas brasileiras advém de um conceito que nos foi relegado pela escravidão. Souza passeia pela formação das elites brasileiras, analisa as classes médias– que divide em protofascistas, liberais, expressionistas e críticas – bem como divide a sociedade brasileira em elites, classes médias, batalhadores e a ralé.

E joga todo o peso na elite que coopta a classe média por meio do convencimento e da violência simbólica. Esta para garantir a sobrevivência e a longevidade dos proprietários e seus privilégios.
O autor também dedica parte do seu livro à uma crítica dura ao grandes
conglomerados da mídia no Brasil como a Rede Globo, a Revista Veja e os jornais Folha e Estado de São Paulo.
Ao avaliar o momento da Lava-Jato, a operação da justiça federal que está
no título do seu livro, ele apresenta uma visão diferente ao afirmar que a corrupção apresentada à sociedade é uma corrupção dos “tolos” e “imbecis”, que somos
nós, e que nos leva a pensar a corrupção como dado da política; e a corrupção real, que é a corrupção do mercado, que compra a política para isso.
 O autor afirma que existe uma corrupção invisível que é praticada pela transferência das riquezas do Estado corrupto para o mercado. Para ele a verdadeira corrupção é a do mercado e assim ele acredita que este argumento e suficiente para “desconstruir essa balela de Lava Jato.” Ele coloca a corrupção como um conceito moderno que implica a noção da soberania popular e que só existe há cerca de 200 anos. 

De forma que o autor acredita que os problemas decorrentes do Brasil que hoje temos passam pela ausência de uma reflexão mais aprofundada acerca da escravidão e os efeitos práticos disso na sociedade brasileira. Por termos mantido esta sub-humanidade através de uma classe média e uma elite que aplaudem uma polícia que mata pobres indiscriminadamente, alimentamos também o ódio aos pobres nesta sociedade. Segundo Souza, “o ódio secular às classes populares parece-me a mais brasileira de todas as nossas singularidades sociais” Em uma mea-culpa ele se posiciona também como ator deste processo: “Ainda que a classe média seja muito heterogênea, toda ela, sem exceção, inclusive o autor que aqui escreve, é portadora em maior ou menor grau desse tipo de preconceito.

 De alguma maneira, nascemos com ele, o introjetamos e o incorporamos, seja no modo inconsciente e pré-reflexivo, seja no modo refletido e consciente, como ódio aberto”. Ao fazer uma aproximação entre a “ralé” - um termo por ele já usado em outro trabalho para designar parte da sociedade que vive em abandono – e a escravidão, Souza determina que o que diferencia os escravos negros africanos desta ralé é que nos dias de hoje, este modo de ver se expandiu para todas as cores de pele se constituindo assim em uma força de trabalho para o capital explorar e uma estigmatização dos pobres. Souza consegue demonstrar as “tenebrosas transações” através do pacto realizado, silenciosa e invisivelmente, entre a elite – que se apodera da esfera pública – que pretende manter o Brasil colonizado apenas por interesses financeiro, com o capital, pelo modo de produção capitalista que tem todo o interesse de manter a subalternidade da grande maioria da população. 
“A lógica de funcionamento do mercado é tornada invisível e a noção de elite dominante, portanto, restringe-se à esfera estatal”, diz o autor para comprovar que, desta forma, o cidadão comum acaba sendo feito de tolo pois entrega “de bom grado e volitivamente o produto do seu esforço a quem os engana e oprime”.

Todos estes argumentos, fazem da obra “A Elite do atraso” um livro que aponta os motivos pelos quais a sociedade brasileira, na atualidade, é apenas uma continuidade de uma sociedade escravocrata de quase 500 anos. Para tentar reverter este quadro, apenas uma saída: pensar o Brasil desde o ano zero. E, para isso, como diz o próprio Jessé de Souza em artigo publicado “é necessário quebrar a hegemonia dessas ideias arcaicas e conservadoras para que a teoria e a prática política brasileira possam mudar de modo efetivo.


(Sousa. Adriano Soares de)

Referência Bibliográfica:  SOUZA, Jessé A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato. Rio de Janeiro: Leya, 2017 
Imagens: Tiradas da internet 

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