PENSADORES BRASILEIROS PARTE 5: PAULO FREIRE E A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO

Olá pensadores,tudo bem com vocês? Comigo, vai tudo bem graças ao Bom Deus. Estamos chegando ao final do mês Julho e com ele o final da serie Pensadores Brasileiros, ficou muita gente boa de fora quem sabe se tiver muitas visualizações, e eu perceber o interesse de vocês eu posso fazer uma segunda leva de pensadores. Bem, para concluir não poderia deixar de fora ele e até fiz questão dele ser o último para fechar com chave de ouro, ele que dispensa apresentações: Paulo Freire.

BIOGRAFIA DO AUTOR

Paulo freire nasceu no dia 19 de Setembro de 1921 na cidade de Recife Pernambuco, filho de Joaquim Temístocle que era capitão da Polícia Militar, e sua mãe Edeltrudes Neves Freire, morou na capital pernambucana até 1931. No ano seguinte foi morar na cidade vizinha Jaboatão dos Guararapes onde viveu por mais dez anos.
No ano de 1943,Paulo Freire entrou na Faculdade de Direito do Recife, mas mesmo depois de formado continuou lecionando Português no Colégio Oswaldo Cruz, e  Filosofia da Educação na UFPE. Em 1955, fundou juntamente com um grupo de amigos o Instituto Capibaribe, que está ativa até os dias de hoje.
Em 1962,inicia seu projeto usando seu método de alfabetização no sertão do Rio Grande do Norte , mais especificadamente na cidade de Angicos , no qual foram alfabetizados 300 trabalhadores da agricultura.
Com inicio  do período da ditadura no Brasil, Paulo Freire foi acusado como agitador, foi preso por 70 dias, e quando liberado, se exilou no Chile lá desenvolveu programas de educação de adultos. Já no ano de 1969  Paulo Freire leciona na Universidade de Harvard e por lá ficou por 10 anos , em seguida viajou por vários países dando consultoria educacional , entre esses foi consultor especial do Departamento de Educação do Conselho Municipal de Igrejas em Genebra na Suíça.
Regressou ao Brasil no ano de 1980, foi professor na UNICAMP e na PUC e por fim atuou como Secretário da Educação da cidade de São Paulo na gestão da então prefeita Luisa Erundina. Freire é o brasileiro com mais títulos de Doutor Honoris Causa, ao todo são 41 instituições entre elas : Harvard, Cambrigde e Oxford, e recentemente na Universidade de Columbia situada em Nova York, alunos e professores querem homenageá-lo colocando o nome dele em um de seus prédios. 
Paulo Freire casou-se 2 vezes, a primeira foi em 1944 Elza Maria, com ela teve cinco filhos, ficou viúvo, casou com sua ex-aluna de Oswaldo Cruz a Ana Maria, mais conhecida como Nita Freire. Paulo Freire faleceu no dia 2 de Maio de 1997 de insuficiência cardíaca.

OBRAS DO AUTOR

Citarei aqui os dois livros de Paulo Freire, o primeiro é o que vamos aprofundar que é o Pedagogia do Oprimido, o segundo é Pedagogia da Autonomia , nesse livro ele faz um resumo das questões que o motivaram ao longo da vida e discuti aspectos chaves da educação.

PENSAMENTO DO AUTOR

A Pedagogia do Oprimido geralmente, é apontado como mais importante entre os livros de Paulo Freire, e de fato o livro apareceu como uma nova produção entre os trabalhos intelectuais do autor . Ao invés de focar em análise e reflexões da experiências vividas no Brasil (até porque esse livro foi baseado na experiência do autor no Chile) em Pedagogia do Oprimido temos um educador brasileiro tentando o alcance universais de suas ideias e práticas .
O livro foi escrito em 1968 e publicado originalmente em inglês, até 1974 ele foi trazido para diversos idiomas como: espanhol,italiano , alemão , sueco e holandês. Você deve está pensando e a versão em português foi traduzida quando? Bem, para o nosso português somente em 1975 , ou seja, sete anos depois da sua primeira publicação. 
No primeiro capítulo, intitulado Justificativa da Pedagogia do Oprimido, Freire discute quem são os oprimidos e qual é a relação dos oprimidos e opressores para justificar o porque tem que haver uma pedagogia de libertação. É libertadora no sentido de ter diversas situações em que as pessoas estão oprimidas e elas não conseguem enxergar isso ; portanto, a educação libertadora vai fazer o oprimido enxergar as diversas contradições na nossa sociedade como por exemplo, termos pessoas muito ricas e temos pessoas que morrem de fome todos os dias .
Quando fazemos educação com pessoas que estão em vulnerabilidade tem muito haver com reconhecimento desse tipo de contradição, as vezes para esse indivíduo o discurso que reverbera é o discurso do fatalismo , de que as coisas são assim de que você não se esforçou o suficiente( a chamada meritocracia ). As pessoas deve começar a criar uma conscientização onde você abre seu leque de visão de mundo , começa a ver as contradições e a partir disso, você pode agir ou não sobre essa realidade para tentar mudá-la. 
Nesse sentindo, você pode reconhecer ser crítico sobre esse assunto se é que não pode ser transformador por N motivos então, o indivíduo pode não querer transformar ou agir naquela realidade. Paulo Freire também reflete sobre a natureza dos opressores e dos oprimidos, aqui o foco é muito mais na classe social já que naquela época não existia tanto a pauta feminista ou a LGBTQI+ ,mas, hoje em dia podemos deixar tudo isso mais complexo, exemplo: Marcelo pode ser opressor em relação a Valeria por ser homem , mas Valeria pode ser opressora em relação a Marcelo por se hétero, então, a grande sacada é que o opressor não é uma entidade distante de todos nós, ele está aqui , podemos ser opressores nas mais diversas relações. 
Paulo Freire disse que da maneira que foi construída nossa sociedade os opressores acabaram ficando hospedados dentro dos oprimidos. "Muitas vezes se você não trabalha com a expulsão do opressor dentro de você , você acaba sendo ele". Paulo Freire termina dizendo que ninguém liberta ninguém e ninguém se liberta sozinho, os homens se libertam em comunhão .
As lutas necessitam de ser coletivas, não é sozinho que você vai conseguir mudar a estrutura social, a pedagogia libertadora exige união ,sendo assim, será que faz sentido lermos Paulo Freire sozinhos? A educação tem haver com o diálogo , não conseguimos acessar o mundo como ele é de forma solitária. Um tipo de construção que não se vê na tal educação bancária , assim denominada por Paulo Freire, o modelo de educação onde o professor em sala de aula vai dizer que a mesa é branca e ponto final e você tem que aceitar mesmo que a mesa seja da cor cinza .
No método de Paulo Freire o objeto medeia o processo de aprendizagem, onde o professor entende o ponto de vista do aluno sobre o objeto e aos poucos vai colocando a sua visão a partir disso temos uma síntese , seria uma terceira constatação que vem a partir dos dois pontos de vista( muito hegeliano por sinal ) . 
Freire constrói esse método para chegar na parte da educação problematizadora criticando o modelo de educação bancária que infelizmente vemos hoje em dia (eu produzi um artigo sobre o tema) , o modelo baseado na transferência de saber do professor para o aluno ,onde se deposita um conhecimento partindo do pressuposto que o professor tem algo que o aluno não tem (conhecimento) e que esse aluno é vazio. Essa educação é utilizada como meio de opressão sendo dita como a política sem viés ideológico mas na verdade a partir desse tipo de educação, você faz com que aquilo que é hegemônico dentro da sociedade continue sendo reproduzido já que você não abre espaço do questionamento para o aluno , já que o professor é detentor da liberdade, o mesmo se colocando como sujeito da aprendizagem e o aluno como objeto.
Já na educação libertadora ambos são sujeitos e através dos objetos os 2 sujeitos vão construir um conhecimento sobre ele . O professor não está só ensinando ele também está aprendendo também, assim como o aluno não está só aprendendo ela está ensinado também. Compartilhando com vocês minha experiência própria, como vocês sabem eu leciono a disciplina de Ensino Religioso para os alunos do Fundamental II , que são os alunos do 6º ao 9º anos. No meu primeiro ano na escola que estou até hoje, tinha uma sala muito problemática que era a turma do 6º ano, e eu tinha muita dificuldade com aqueles alunos.
Até que um belo dia chegou na matéria que aprenderíamos sobre as religiões de matrizes africanas e confesso que sei muito da teoria até porque nunca frequentei, tinha um aluno que tinha a experiência na religião já que sua avó é dona de terreiro, fiquei muito interessado ao ponto de invertemos os papéis , emprestei meu pincel para ele, e o aluno deu uma aula de como que funcionava a religião na prática. Voltando ao assunto, outro conceito importante que Freire traz nesse livro, é a relação da teoria e a prática.
Se tem a teoria de um lado e ficar apenas nela, será apenas um crítico que não transforma , por outro lado ter só a prática sem a teoria também não é completa, Freire vai dizer que é pura militância . É necessária reflexão mútua entre prática e teoria: você tem uma prática orientada pela teoria, e uma teoria que muda de acordo com a prática, isso dá-se o nome de práxis .
Sendo assim, a práxis freiriana é muito significativa no sentido de se orientar o caminho no sentido da educação problematizadora . No meio de tantas reflexões e conceitos significativos , deixei aqui nesse texto as minhas ressalvas , lembrando que nada substitui a leitura completa deste livro, sobretudo, a leitura conjunta e a discussão em grupo, e é sempre bom lembrar: " A educação destrói mitos"Paulo Freire.
(Sousa, Adriano Soares de)

Referências: FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005, 42.ª edição

Imagens: Tiradas da internet.
       
   

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