HEIDEGGER PARTE 3 : ALÉTHEIA, A VERDADE COMO DESVELAMENTO E SUAS DUAS MOBILIDADES

 Olá pensadores, tudo bem com vocês? Espero que sim! Comigo vai tudo bem graça Ao Bom Deus! E sem perda de tempo vamos dar sequência a nossa série sobre Heidegger , e peço desculpas , pela procrastinação dessa semana, portanto teremos um texto hoje, e outro no próximo domingo. Mas, hoje falaremos da alétheia no contexto no contexto filosófico de Heidegger.


O ser-aí que vimos no texto passado, comporta de saída uma pressuposição de verdade, na medida em que ele é o "aí" numa expriência de manifestação, um desvelamento das coisas e, através delas, do Ser. Na etimologia de alétheia, primeiro termo a significar verdade na Grécia, Heidegger percebe uma intuição originária do sentido profundo da verdade, o pressentimento de que recuo ou uma reserva são constitutivos dela. 

Os pensadores pré-socráticos falaram da verdade como um desvelamento de um Ser obscuro que se mostra e se vela ao mesmo tempo. A filosofia nasceu nesse pensamento de uma verdade clara-escura indicando o enigma do Ser. Mas ela não parou de se desviar dele voltando-se para uma concepção da verdade cada vez menos respeitadora do mistério, confundindo o Ser com realidade prosaica dos entes. 

Heráclito e Parmênides, ao meditar, comentavam-se em espantar-se com essa revelação estranha. Com Platão e Aristóteles começou o esquecimento do Ser, isto é, o esquecimento da sua diferença radical em relação ao ente a diferença radical em relação ao ente a diferença ontológica ou ôntico-ontológica. Foi assim que eles inventaram a filosofia no sentido que por muito tempo seria o dela: um saber e uma doutrina sobre o Ser, o ente e suas relações.

Platão dá um passo decisivo quando transforma a doação misteriosa da presença do Ser, em que os entes aparecem, em essência destes em seu eîdos, o que neles é para ver, o que nos torna claros, os faz compreender. A confusão do Ser com o ente leva a explicar o ente pelo ente e, de causa em causa, a remontar a um princípio único de explicação, um ente primeiro " o mais elevado em dignidade e potência". Era abrir caminho para o imperialismo da presença objetiva , empirismo superior que vê na essência ou na substância um fato, somente mais consistente e permanente do que todos os outros. Assim será a ontoteologia, em que a metafísica culmina. No pensamento ocidental, a ideia de desvelamento aplicada a verdade, conhecerá pois uma caricatura,ao se tornar a supressão dos véus do ente , a racionalidade explicativa e conquistadora que tem por fim o domínio científico-técnico do real: desvelar é, para a técnica, provocar um "ser" que nada mais é do que a natureza oferecida ao saber e à ação, um simples reservatório de energia, de forças calculáveis e exploráveis.O projeto cartesiano de controle por uma razão centrada na potência humana culmina nos excessos da técnica e do planejamento em escala  planetária, na normatização do homem.  

O ser humano perde sua relação com o Ser tornando-se o sujeito soberano, a consciência transparente a si mesma, que define sua relação com a verdade pela certeza de suas representações . Também perde com isso o seu ser-no-mundo, reduzindo o mundo a uma imagem ou uma representação matemática. 

Heidegger considera Nietzsche, como último metafísico, o sujeito auto-suficiente triunfa na vontade da potência como vontade de vontade. Essa ontologia não pára se aperfeiçoar desde Descartes, para culminar na teoria hegeliana do saber absoluto, afirmando a identidade de antemão adquirida da presença e do que está presente. É por isso que Heidegger ver necessário da desconstrução da ontologia a preliminar de toda renovação da questão do Ser caída no esquecimento.

(Sousa, Adriano Soares de)

Referências: HEIDEGGER, M. A preleção (1929): que é Metafísica? In: ______. Conferências e escritos filosóficos. Trad. Ernildo Stein. São Paulo: Abril Cultural, 1983.(Os pensadores)

Imagens: Tiradas da Internet

       

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